domingo, 23 de novembro de 2014

16º Salão do Automóvel e Náutica de Curitiba.


16º Salão do Automóvel e Náutica de Curitiba.

Data: 22 de novembro a 29 de novembro de 2014
Local: Expotrade Convention Center
Endereço: Rodovia Dep. João Leopoldo Jacomel, 10.454, Pinhais, Paraná
Realização e promoção: JA Promoções & Eventos
Segunda à sexta: 17 às 22h - Sábado e domingo: 14 às 21h
Compareci ao 16º Salão do Automóvel e Náutica de Curitiba já na estreia, ou seja, no dia 22 de novembro - sábado. Tentei descolar um convite ou ao menos um cupom de desconto, mas não tive sucesso. O jeito foi pagar 30 lascas do ingresso - fora 20 do estacionamento que nem coberto é. Mas apesar do alto custo da empreitada, algumas coisas compensaram. Logo no começo do tour encontrei o João Maffini, colega do BC e assíduo leitor do Caderno de Automóveis da Starnet, do qual sou o redator. Depois as surpresas foram se sucedendo, como uma bela reunião de autos antigos - nacionais e estrangeiros - além de hot's. Adquiri miniaturas de alguns comerciantes e outros itens ligados ao antigomobilismo. Não me demorei muito nos estandes das marcas consagradas pelo público, tais como Mercedes Benz, Hyundai etc e decidi conferir as novidades das montadoras chinesas. No estande da JAC foi possível perceber a melhoria na qualidade dos acabamentos - que ainda podem e devem melhorar bastante. O compacto J2 foi o que mais me chamou a atenção pelo conjunto da obra e pelas belas rodas esportivas. Na CHERY foi possível entrar num Tiggo5 e dele sair desejando comprá-lo, dependendo do preço que vier, claro, mas o modelo só começará a ser vendido em 2015, depois que a marca "desovar" o estoque dos atuais Tiggo. O concept car Celler Desert chamava a atenção com sua cor amarela, bem interessante por sinal. Outra estrela do evento era a nova geração do QQ - fotos abaixo. Do modelo veterano só sobrou o nome e o motor 1.0 3 cilindros. O carro foi totalmente redesenhado e, apesar da grade "risonha", mostra-se uma "séria" opção de compra de um city car - um carrinho compacto, ágil e econômico, desde que livre de carregar tralhas ou compras de mercado, pois o porta-malas é minúsculo e o acesso se dá pela tampa traseira, toda de vidro.

A seguir, uma seleção de 40 fotografias com alguns dos carros antigos expostos no salão, nacionais e estrangeiros. 




 

 






 









sábado, 22 de novembro de 2014

SIMCA DO BRASIL

A sigla SIMCA vem de Société Industrielle de Mécanique et Carrosserie Automobile, fábrica de automóveis francesa que foi fundada em Nanterre, em 1935, pelo empresário italiano Enrico Pigozzi.
No começo da década de 50 a Simca havia escolhido o Brasil para ser a filial americana, e a idéia inicial era produzir em conjunto com a FIAT (que forneceria um novo motor, em substituição Ford Aquilllon, de 1932). Essa fábrica seria instalada na cidade de Santa Luzia/MG. Com o suicídio de Vargas, em 1954, a Fiat desistiu do projeto. Como o Plano de Metas de JK previa a instalação de uma indústria automobilística nacional, a Simca retomou o projeto.
1958 - A filial brasileira foi fundada em 5 de maio de 1958 e aqui, a sigla SIMCA passou a significar Sociedade Industrial de Motores, Caminhões e Automóveis
Ela ocupou as antigas instalações da Brasmotor (que montava carros americanos da marca Chrysler), situada no Km 23 da Via Anchieta, defronte à fábrica da Volkswagen.
O modelo escolhido para ser produzido aqui (CHAMBORD) era muito semelhante ao Simca francês VEDETTE. 
Vide abaixo um dos primeiros modelos aqui vendido.
1959 - Após vários testes com 47 "Vedettes" franceses, é iniciada em 7 de março a produção do CHAMBORD no Brasil, com baixíssimo nível de nacionalização. Na verdade os carros não foram produzidos aqui; vieram da França, completamente desmontados, sendo suas peças reunidas a algumas poucas aqui produzidas, como bateria, molas, tapeçaria, sistema de escapamento, mangueiras e outros pequenos itens. Para se ter uma idéia, na soleira das portas vinha inscrita a palavra VEDETTE e não CHAMBORD... De qualquer forma, ele impactou o mercado de forma muito positiva. Medindo 4,75m de comprimento, era um elegante sedan com linhas tipicamente norte-americanas (rabo-de-peixe), 4 portas e capacidade para até 6 pessoas, com porta-malas igualmente amplo. O motor Aquilon, apesar de V8, fora concebido na década de 30 e rendia apenas 88 cavalos. O câmbio tinha 3 marchas (a 1ª não era sincronizada), com alavanca na coluna de direção. Até que não era um carro tão “gastão” (fazia média de 8 Km/l), mas a velocidade máxima era bem modesta: 135 km/h, embora compatível com o calçamento precários das ruas e estradas da época. A suspensão dianteira (McPherson) deixava o carro bem estável e absorvia bem as irregularidades do piso. Na época de seu lançamento não encontrou concorrentes, pois somente outros 6 veículos nacionais eram produzidos: a Romi-Isetta, a perua DKW, os VW Fusca e Kombi, além dos utilitários Jeep e Rural, da Willys – todos de segmentos inferiores. Mas o lançamento “precipitado” acarretou uma série de problemas, como a facilidade de superaquecimento do motor, a embreagem fraca (patinava constantemente) e a falta de torque, especialmente em baixas rotações.
1960 – Em 16 de abril foi produzido o 2.000º exemplar e, em homenagem à futura nova capital do país, foi pintado em duas cores: verde folha e marfim. A fundição dos motores nacionais teve início em 30 de agosto. Nesse ano a Willys lançou o Aero e a FNM começou a produzir o JK, o que obrigou a Simca a resolver depressa os problemas de seu belo automóvel. Assim, em setembro foi lançada uma nova versão, topo de linha, denominada PRESIDENCE
A maior diferença de estilo, em relação ao CHAMBORD, era o “estepe continental” (preso do lado de for, na tampa do porta-malas). Internamente, destacavam-se os bancos de couro, ar condicionado, luzes de leitura para os passageiros, rádio de longo alcance e até bar com copos de cristal no compartimento dos passageiros. O motor, com dois carburadores de corpo duplo e uma taxa de compressão maior, rendia 94 cavalos.
Acima e abaixo, o PRESIDENCE
 CADASTRO DE PRESIDENCE
Placas - ASI1965 - ATL1963 – AYH1962 - BQG1960 - CJJ1965 - CPH1965 - DDV1965 - DNI1965 - ERF1966 – GXP1964 - IAU1961 – IEW8293 - IIT5785 - LZR7607 – NYA1959

Total: 15 exemplares
Última atualização em 2 de janeiro de 2017


1961 – Em abril foi lançada a “Segunda Série” do CHAMBORD, com índice de nacionalização próximo de 90%. Foram adotados novos frisos laterais e um emblema em forma e andorinha, montado em ambos os pára-lamas dianteiros. Em outubro as calotas raiadas foram substituídas pelo estilo “turbina”, com imitação de “cubo rápido”.
Em outubro foi lançada a linha 1962.
1962 – Em abril foi lançada a série “Três Andorinhas”. Os motores sofreram aumento de potência (95 cavalos, no CHAMBORD e 105 no PRESIDENCE). Em meados desse ano surgiu uma versão esportiva, denominada RALLYE ESPECIAL, que mesclava esportividade e luxo, com o mesmo motor do Presidence, de 105 cavalos. O interior era mais esportivo mas externamente o carro ganhou apenas duas entradas de ar no capô (para melhor ventilação, dizia-se), carburação e escapamento duplos, vidros verdes e alguns detalhes cromados. Duas tomadas de ar, redondas e semelhantes às do norte-americano Chevrolet 1957, foram acrescentadas no capô do motor. 
Confira abaixo o RALLYE e suas evoluções de estilo até 1966.

CADASTRO DE RALLYE - RALLYE ESPECIAL

Placas - ACQ7286 – AJS4943 - ASI1964 – ASR1965 - BEK1964 – BEZ6000 - BLL1756 - CSN1966 - CYQ1964 – DIJ8669 - DIY1962 – DXC8824 – ESR1964 – FJR1965 - FWW1964 – GLV4223 - GUC7701 – HCD2108 - IBY1966 – ICS3508 - IDA0346 – IFE1962 – IGL7532 – IHQ8348 - IIA2251 – IIH3796 - IIQ4236 – IIR7301- IIZ6566 – IRC1966 - IYI1964 - KEB3165 – LWT7330 – LYP5842 - MIM1963

Total: 35 exemplares
Última atualização em 2 de janeiro de 2017

Em novembro, no III Salão do Automóvel, a família continuou aumentando e foi apresentada a primeira station wagon brasileira, a JANGADA, derivada da perua francesa Vedette Marly, nas versões Luxo e Utilitário. Ela quase foi batizada de BANDEIRANTE, mas prevaleceu o nome JANGADA - embarcação rústica mas resistente, sendo que a perua era luxuosa, mas frágil... Apesar de oferecer o mesmo conforto do CHAMBORD (o motor rendia 98 cavalos, mas era mais pesada). Em compensação, em trajetos mais curtos, podia transportar até 8 pessoas, graças aos dois assentos laterais (escamoteáveis) localizados no porta-malas. Bastava levantar a tampa que cobria o estepe, e, após a retirada do pneu, havia espaço para dois banquinhos (mas aí o estepe teria que ir para o teto do veículo...). Os bancos traseiros, por sua vez, podiam ser completamente rebaixados, formando uma ampla plataforma de carga com capacidade para 1.800 litros de bagagem. Mas a carroceria tinha pouca resistência à torção e era comum ver alguns exemplares do interior do país com as portas traseiras amarradas com pano ou cordas à coluna. A parte elétrica era uma fonte de dor de cabeça e o motor costumava superaquecer.
CADASTRO DE SIMCA JANGADA

Placas - ADH1965 - ASI1963 - AYA0066 - BFH1964 - CFF1965 - CHN9573 - DAA1965 - DFH4369 - ECL1964 – EYY1963 - FRN1966 – GWL1966 – IIY9894 - IOI1963 - ISJ1966 – IYY1962 – LDF6443 - LYL6772 - MAJ1964

Total: 19 exemplares
Última atualização em 2 de janeiro de 2017

1963 – A Willys redesenhou totalmente o AERO, deixando-o mais requintado e moderno. O FNM 2000 JK também conquistava fatias do mercado. Na tentativa de oferecer à classe média brasileira um carro de preço mais acessível, lançou o modelo “popular” ALVORADA, desprovido de qualquer luxo e da maioria dos cromados presentes nos demais modelos. Esta nova versão foi um fiasco (assim como o Willys Teimoso e o DKW Pracinha), razão pela qual o modelo logo saiu de linha com apenas 378 unidades produzidas. 
Confira abaixo.
 Acima e abaixo, o popular ALVORADA - clique nas fotos para ampliá-las.
 
1964 – A “Primeira Série” era idêntica à linha 1963, mas a “Segunda Série” trouxe a linha TUFÃO, com mudanças de ordem mecânica e estética. O pára-brisa ficou mais amplo, melhorando a visibilidade dianteira. O teto do sedan e as colunas ganharam linhas retas e a parte traseira foi elevada, oferecendo maior área envidraçada e mais espaço para os passageiros. Internamente, mais conforto e luxo, além de novos bancos. As lanternas traseiras foram redesenhadas (nova disposição de luzes, com o mesmo formato) e o modelo recebeu novos frisos.   
Os motores V8 Tufão tinham 2.414 cc (100 cavalos) e o Tufão Super, de 2.550 cc (112 cavalos e dupla carburação, onde  um carburador abria depois do outro, conforme a necessidade, durante a marcha). A linha Tufão ganhou avanço manual da ignição, localizado no painel (além do automático), que permitia melhor regulagem do motor para diferentes altitudes ou diferentes tipos de gasolina. 
Nesse mesmo ano surgiu o RALLYE (mais simples que o RALLYE ESPECIAL, embora mais sofisticado que o CHAMBORD). 
A perua JANGADA perdeu a versão utilitário, permanecendo apenas a Luxo.
1965 – Nesse ano a versão ALVORADA deu lugar à PROFISSIONAL, numa tentativa de seduzir frotistas e taxistas - fotos abaixo. 
Abaixo, o PROFISSIONAL - para taxistas.

CADASTRO DE ALVORADA - PROFISSIONAL
Placas - AIU7920 e ALH1963

Total: 2 exemplares
Última atualização em 22 de novembro de 2014

A perua JANGADA ganhou o mesmo teto retilíneo e o pára-brisa da linha sedan Tufão. Introduziu-se em todos os modelos a ignição transistorizada e o sistema 6-M (sobre-marcha eletro-Mecânica, que multiplicava as três marchas originais por dois (opcional do RALLYE ESPECIAL e do PRESIDENCE – este também recebeu um vidro separando os passageiros do motorista).  Posteriormente o CHAMBORD também recebeu dupla carburação.
Continua...