domingo, 18 de junho de 2017

ENCONTRO DE CARROS ANTIGOS - Largo da Ordem - Curitiba - 18 de junho de 2017

Este fim de semana fez tempo bom em Curitiba, com céu azul e sol na medida certa. A combinação perfeita para levar o meu "azulão" para passear. Neste domingo (18/6/2017) fui ao Largo da Ordem e lá acabei encontrando o Ernesto com seu maravilhoso Gordini IV 1968 vermelho. Infelizmente o Davi não apareceu com seu lindo DKW Belcar vermelho...
O estacionamento estava lotado de carros antigos, mas sempre aparece um ou outro engraçadinho que acaba estacionando um carro moderno durante o horário do evento. Pior é quando estacionam rente à calçada e, com isso acabam "matando" pelo menos duas vagas. Hoje uma moça simpática cometeu essa infração, mas ela pediu sinceras desculpas e "quem sou eu" para não aceitá-las.
Havia muitos carros importados e no geral houve uma bela reunião de carros antigos e bem conservados.
Abaixo, uma seleção do que esteve exposto neste domingo:
CLIQUE NAS FOTOS ABAIXO PARA AMPLIÁ-LAS
 Abaixo, Renault Gordini IV 1968 e VW Karmann-Ghia 1970.
  Abaixo, um belo VW Fusca Conversível 1959 e um 1968.
 Abaixo, um Volkswagen 1600 "Zé do Caixão" 1969

Abaixo, 3 MP Lafer e um Ford Maverick GT 1977
Abaixo, 4 belos calhambeques;
Abaixo, uma reluzente picape International 1951.
 Abaixo, um Chevrolet 1948 e um Ford 1943.
 Abaixo, alguns imponentes Cadillac.
 Abaixo, um  Lincoln Continental Mark V e um Mercury 1951.
 Para finalizar, um trio de Chevrolet Bel Air

quinta-feira, 8 de junho de 2017

FISSORE - HISTÓRIA, CADASTRO E PROTÓTIPO DE PERUA 4 PORTAS

Em 1962 a Vemag exibiu no Salão do Automóvel daquele ano o belo e luxuoso sedan FISSORE, projetado no estúdio italiano Fratelli Fissore. 
O protótipo deixava evidente que se tratava de um carro moderno e bonito, mas a sua construção era complexa e a nossa novata indústria automobilística (ainda engatinhando) teve dificuldade em (re)produzi-lo. 
Por esse e outros motivos (crises política e econômica) sua produção só começou, efetivamente, 2 anos mais tarde, em 1964.
Abaixo, protótipo do Fissore, chassi e rodando na Europa:


Em 1963 a Vemag planejou vender carros na Europa, mas não deu certo. A recusa da AUTO UNION em prestar auxílio financeiro fez com que a Vemag decidisse retirar os “4 círculos” do logo frontal, sobre o capô do motor.
Em 1964 o Fissore finalmente foi colocado à venda. Era belo, mas bem caro para o seu porte e refinamento técnico. 
 FISSORE EXIBIDO NO SALÃO DO AUTOMÓVEL DE 1962:
Abaixo, Fissores na linha de produção da Vemag:
Apesar de ser um sedan, o Fissore tinha apenas 2 portas, amplo espaço interno e oferecia muita visibilidade graças às colunas bem estreitas. A tampa do porta-malas abria desde a linha do para-choque e acomodava um bom volume de bagagem. Mas por conta da ventilação deficiente (ainda não havia saídas de ar no painel) os vidros embaçavam com facilidade . A carroceria pesava muito (1.010 Kg) e tinha excesso de soldas de estanho para corrigir defeitos. 
Foi pioneiro na linha Vemag a oferecer o Lubrimat (mecanismo que misturava automaticamente o óleo à gasolina – com 1 litro de óleo podia-se rodar até 1.000 Km). 
O motor tinha uma taxa de compressão mais elevada e (dizia a Vemag) rendia 60 HP de potência. Mas o desempenho era inferior ao esperado (ele pesava 70 Kg a mais que o Belcar) e os freios a tambor sofriam para imobilizar o carro. 
Ainda em 1964, na Europa, a Volkswagen adquiriu a AUTO UNION. Em consequência, a DKW e os motores de 2 tempos foram engavetados, dando lugar ao ressurgimento da marca AUDI. No Brasil, a VEMAG até então só fabricava produtos da Auto Union, sob licença, e estava com dificuldades financeiras. O que muitos não sabem é que desde 1963 a Vemag já estudava a associação com outras montadoras europeias, como a Citroën e Fiat...
Em 1965 a Auto Union já tinha sido absorvida pela matriz da Volkswagen, e as negociações da Vemag com a italiana Fiat foram retomadas. Dois anos mais tarde o acordo estava praticamente fechado, mas dizem que a Volkswagen teria decidido bloquear o ingresso da Fiat, no Brasil, comprando a Vemag em setembro de 1966. Na verdade, o que a Volkswagen queria eram suas modernas prensas (parte do ferramental importado pela VW e que seria usado na produção do “Zé-do-Caixão” afundou no mar).
Em 1966 o Fissore ganhou uma nova tampa do porta-malas, mais curta, que permitia o uso de menor quantidade de solda no painel traseiro. Isso ajudava a diminuir o peso do carro (os vidros também ficaram mais leves). Com isso, o bocal de abastecimento migrou do para-lama traseiro para trás da placa de licenciamento. Os piscas dianteiros foram redesenhados e saíram da parte inferior da grade para as laterais. O painel de instrumentos recebeu saídas de ventilação nas extremidades para reduzir o tradicional embaçamento dos vidros. Os bancos (até então forrados em veludo) passaram a ser de couro, combinando com a cor da carroceria.
Em 1967 a Vemag foi absorvida pela Volkswagen. O último Fissore recebeu lanternas traseiras maiores e envolventes (as mesmas da perua Vemaguet) e em dezembro desse ano a Volkswagen encerrou a produção dos valentes DKW (ao todo, a Vemag produziu 115.009 veículos – de 1956 a 1967). 
Mas em 1968 ainda foram comercializados 3.514 carros que existiam no estoque...
ABAIXO, AS DISCRETAS ATUALIZAÇÕES DO FISSORE:

 
 


CADASTRO DE FISSORE

Placas: AAG 4165 – ADK 1965 – AEC 6838 – AFG 5966 – AGG 2915 – AHF 9428 – AHP 7565 – AIG 4165 – AIN 4941 – AIS 5659 – AIT 9638 – AJB 3406 – AJK 5006 – BDK 1965 – BDW 1965 – BHC 7793 – BIY 8468 – BIZ 1964 – BMH 4740 – BMQ 6887 – BSQ 1967 – BVB 5001 – CDB 9465 – CHQ 1967 – CKA 1965 – CKB 8465 – CK G7407 – CNM 1965 – COP 1467 – DBO 8918 – DHQ 1967 – DKW 1965 - DMI 1967 – DYI 1965 – EGY 1967 – ELJ 0067 – EWS 1967 – GGN 1967 – GMJ 2985 – GMO 4253 – GOP 1967 – GRG 5372 – GVF 1966 - GWF 1967 – GWJ 2339 – GWM 2489 – GXJ 6476 – GZE 1967 – HZH 1967 – IAV 7657 – IAW 5338 – ICL 3717 – ICN 2270 – ICY 6997 – IDK 5495 – IDN 1966 – IFB 6733 – IGM 1964 – IHH 1414 – IIN 6926 – IJA 2711 – IJF 3541 – IJT 7571 – IKC 8720 - IKP 2837 – IMK 9457 – IWW 1965 – JEV 7803 – JFS 7989 – KCR 4767 – KSE 9890 – KUC 2831 – LCB 3672 – LZO 1917 – MAF 1967 – MAO 1965 – MAO 6293 – MIL 0965 – NFO 1967
Total: 79 exemplares
Última atualização em 8 de junho de 2017

PERUA FISSORE
 O contrato firmado entre os Fratelli Fissore e a Vemag tinha a duração de 10 anos (iria até o final de 1971). 
Além da criação de um novo produto (o sedan 2 portas Fissore, apresentado no Salão do Automóvel de 1962 e efetivamente comercializado a partir de 1964), havia a previsão de lançamento de um sedan com 4 portas.
Em seguida seria lançada uma station wagon (perua) e, finalmente, um conversível (desenvolvido para a Argentina) do qual foram produzidas em torno de 50 unidades.
A VEMAG sempre se virou sozinha, sem apoio ou injeção de recursos da Auto Union, de quem fabricava produtos sob licença.
A aquisição da Auto Union pela Volkswagen e a dificuldade em firmar parcerias com outras montadoras (Citroën, Fiat etc) selaram o destino dos DKW no Brasil. Assim, o contrato foi rescindido, e as ligações de Fratelli Fissore com o mercado nacional se encerraram aí.
O processo abortou o surgimento da versão “perua”, programada para o Salão do Automóvel em 1967. 
Importante destacar que, com todas as dificuldades que sempre enfrentou, a VEMAG "investiu até o fim da vida” na contínua melhoria do parque fabril e no lançamento de novos produtos.
Segundo o jornalista Roberto Nasser (curador do Museu do Automóvel de Brasília), “salvo engano a casa dei fratelli fissore aprontou dois protótipos e os enviou ao Brasil para acertos e adequações, um deles, o automóvel entre o bege e o bois-de-rose (será que alguém hoje sabe que cor é esta ?), exposto no salão de 1962. 
A station ficou guardada, pois a Vemag não queria dividir atenções para o que seria o lançamento. 
O sedan Fissore exigiu tantas providências de produto e manufatura, que elevou monumentalmente o seu preço – creio, smj, o 3o. maior do país, atrás de JK e Simca Présidence. Avocou o projeto para posterior deliberação, e o que decidiram foi não fazer. Deve ter sido esmagada, fim dos protótipos”.