terça-feira, 28 de janeiro de 2014

WILLYS EXECUTIVO - PARTE 1


O projeto da famosa limousine (única construída por um grande fabricante em toda a história da nossa indústria) foi de Willian Max Pearce, então presidente da Willys Overland do Brasil. Ele, com Mauro Salles, haviam lançado o esportivo Interlagos e, mais tarde, o novo Aero 1963 no Salão de Paris. O projetista espanhol José Ramis Melschiso deu forma ao design do modelo, a partir do Itamaraty convencional, inserindo 75 centímetros entre as portas dianteiras e as portas traseiras. 
As carrocerias eram adaptadas pela Karmann-Ghia e o vidro traseiro era bem pequeno, para mais privacidade aos seus “exclusivos” ocupantes. Por conta da maior distância entreeixos (3,45m) a limousine media longos 5,52m de comprimento, com o habitáculo dividido em dois compartimentos: o do motorista e o dos passageiros, separados por um vidro. 
Ela seria construída em número muito limitado, para dar ainda mais prestígio à marca, cabendo o primeiro exemplar ao presidente da República. O Marechal Castelo Branco se deslocou até a fábrica da Ford no Ipiranga (para o lançamento do Galaxie) a bordo de um Executivo Especial (E-340 chassis 5), o que deve ter irritado bastante os convidados americanos da Ford. 
Esse automóvel verdadeiramente “presidencial” tinha rádio-transmissor colocado no porta-malas, mastro para bandeiras nos pára-lamas dianteiros e brasões da República nas colunas, além de um televisor e de um velocímetro no console central traseiro. O habitáculo para passageiros exibia interior em couro, nas cores havana, cinza, preta ou branca na parte dos passageiros e preta no assento do motorista (só um exemplar tem a cor havana nas duas cabines). Os automóveis saíam da fábrica geralmente na cor preta e apenas dois veículos saíram de outra cor, um azul marinho (de uso da própria Willys, posteriormente pintado de preto pela própria fábrica) e outro verde. Sabe-se que dos veículos existentes atualmente, apenas um não é preto e sim azul. 
A versão básica STANDARD, tecnicamente conhecida como série 6-1152 S-340, tinha diversas características exclusivas, porém era menos luxuoso que o modelo Especial, que era da série 7-1153 E-340. Oferecia assentos para 5 pessoas (duas no banco da frente e 3 no banco de trás, mais 2 pessoas em banquinhos escamoteáveis, nas laterais. Havia um anteparo entre o motorista e os passageiros (com vidros de acionamento elétrico), com um rádio de 4 ondas com leitor de cassetes de cartucho Clarion Car Stereo. Também oferecia apoio móvel para os pés, apliques de jacarandá da Bahia, vidros Ray-ban e uma pequena placa de prata na qual era gravado “Fabricado especialmente para ...”. Havia ainda no console um acendedor de cigarros, que podia ser retirado para ligar um barbeador elétrico e, internamente, um gravador estereofônico e os comandos de ar condicionado. Além disso o modelo oferecia luzes internas dirigíveis, para leitura. 
A versão ESPECIAL oferecia todos os itens da Standard, mas no compartimento dos passageiros havia apenas dois bancos, separados entre si por um console central, onde se localizavam os comandos das luzes internas, um gravador da marca Sony, um barbeador da marca Remington-Roll-a-Matic e o já citado rádio. Não havia nada comparável na época...
O conhecido motor Willys de 6 cilindros (3.014cm3) com carburador de corpo duplo rendia 132 cavalos, mas por conta do maior peso da carroceria, a velocidade máxima caiu para 142km/h. As carrocerias não eram blindadas, ao contrário do que se difundiu à época. Se fossem, o motor provavelmente não daria conta de deslocar o peso adicional da blindagem... 
Logo após o Salão de 1967, foi anunciada a venda da Willys à Ford, que passava a produzir no país um veículo realmente novo, de luxo e muito mais avançado: o Galaxie. Em função de custos, a Ford decidiu para a produção da limousine, ainda mais que ela custava 27.003 cruzeiros, contra 21.909 cruzeiros do Galaxie e apenas 13.947 cruzeiros do Itamaraty...

(CONTINUA)

WILLYS EXECUTIVO - PARTE 2 (FINAL)

Alguns exemplares da limousine Executivo tinham detalhes que lhes conferiam exclusividade, como o grande teto solar do “Especial” número 5 que pertenceu ao Governo do Estado de São Paulo.
Por incrível que possa parecer, a ordem de fabricação não respeitou a ordem numérica dos chassis. Um dos últimos a saírem da fábrica (Ford-Willys) foi o “Standard” número 16, vendido para a prefeitura da cidade gaúcha de Pelotas em julho de 1969. Era um modelo realmente simples pois não tinha o nome Itamaraty nem o detalhe prateado no capô. Tinha a grade dianteira do Itamaraty 68 e o console do habitáculo dos passageiros inteiriço, pois não possuía rádio. Este automóvel agora se parece com os outros porque o atual proprietário fez modificações a fim de igualá-lo aos demais. Percebe-se, que a fábrica aceitava modificações, pois o automóvel seguinte, de número 18, saiu da fábrica em agosto de 1969 sem as modificações por que passou o número 16.
Ao que consta, o Executivo Standard de número 14 foi o último modelo produzido antes da venda da Willys e que ficou “escondido” na fábrica por alguns anos até ser finalmente vendido a um particular.
Poucos desses automóveis foram vendidos para particulares já que 2 foram para a Presidência da República (S-4 e E-5), 6 para governos estaduais (S-10 Bahia, S-15 Mato Grosso, E-2 Minas Gerais, E-3 Guanabara, E-4 São Paulo e E-6 Rio Grande do Sul), 3 para o Ministério das Relações Exteriores (S-6, S-8, S-13), 1 para o Ministério da Aeronautica (S-11), 1 para o Tribunal de Justiça do Paraná (S-1) e 1 para a Prefeitura de Pelotas (S-16). Dos demais que se tem notícia, 3 foram vendidos para empresas e 5 para pessoas físicas. Dos vendidos para o governo, apenas 2 permanecem com ele que são o do Ministério da Aeronáutica (S-11) que está exposto ao lado do avião Viscount da Presidência da República no Museu Aeroespacial do Campo dos Afonsos (RJ) e o do governo do Mato Grosso (S-15) que, tombou o automóvel – agora parte integrante do patrimônio histórico do Palácio Paiaguás, sede do governo do Mato Grosso.
Nenhum outro automóvel serviu a tantos presidentes e autoridades estrangeiras quanto os “Executivos”. Para se ter uma ideia, só o presidencial (E-5) serviu a 7 presidentes da República e teve sua última grande aparição pública quando da posse do presidente Collor quando foi usado para levar sua esposa à cerimônia.
Entre os passageiros mais ilustres passageiros que se serviram dos “Executivo” temos a rainha Elisabeth II da Inglaterra, o Príncipe Akihito e a Princesa Michiko do Japão, a Primeira Ministra da ìndia Indira Ghandi, entre outros.
Foram produzidas 27 limousines no total, sendo 2 protótipos, 19 do modelo Standard e 6 do Especial. 

CADASTRO DE EXECUTIVO:

Placas: ALU1967 - BJO5145 - CNC1967 - CVC0744 - DIL1967 - GXZ1967 - JEI0001

Total: 7 exemplares.

Última atualização em 24 de maio de 2015

Observação: ao que consta, quando da restauração de um Executivo, especulou-se se ele seria o que serviu o Governo do Estado de São Paulo - e essa dúvida foi esclarecida quando tiraram o console que separava a cabine do motorista da dos passageiros. Ela estava com algumas balas cravadas, e era esse o veículo que serviu, em 1965, o governador Roberto de Abreu Sodré, que sofreu um atentado tendo o carro metralhado. Ele só não sofreu nenhum ferimento porque era comum os passageiros do Executivo usarem os banquinhos laterais do carro para andarem com as pernas esticadas quando não havia ninguém para utilizá-los. Caso não houvesse esse banquinho, o então governador teria tido as pernas metralhadas...

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

WILLYS INTERLAGOS - E CADASTRO

Em fins de 1961 a Willys Overland do Brasil lançou o esportivo INTERLAGOS, cópia do Renault Alpine A108 com linhas semelhantes ao modelo A110 francês.
A produção começou em 1962, numa pequena fábrica em Santo Amaro/SP, mas a montadora logo transferiu a linha de montagem para a filial em São Bernardo do Campo/SP.
O compacto-encapetado media apenas 3,78 metros de comprimento, 1,45 de altura e apenas 2,10 de entreeixos.
O motor – instalado na traseira – era o do Dauphine/Gordini (com capacidade de 845cm3, 904cm3 e 998cm3), com potências de 40, 50, 56 ou 70 cavalos, respectivamente.
A carroceria era produzida em 3 versões: Berlineta, Conversíve e Coupé .
Abaixo, traseira do Berlineta, com vidro envolvente.
 
Abaixo, o raro e divertido Conversível
Abaixo, o terceiro e último modelo,  o Coupé

Por ter uma suspensão mais baixa e uma carroceria com desenho diferente, a Berlineta era mais baixa que o Coupé e o Conversível. Além disso, tinha um pára-brisa maior e mais inclinado, e quebra-ventos diferentes. A Berlineta foi a única versão a usar o motor mais potente (70 cv).
As potências dos motores variavam, por conta da carburação (simples ou dupla) e também de acordo com as relações de compressão, entre 8:1 a 9,8:1 (esta, apenas com gasolina azul).
Graças à boa aerodinâmica e ao peso reduzido (535 Kg na Berlineta e 570 Kg no Coupé/Conversível, todos com pioneira carroceria em fibra-de-vidro), o modelo de competição podia atingir 160km/h, acelerando de 0 a 100  km/h em 14,1 segundos (consumo médio de 9 km/l).
Entrar e sair do carro com capota rígida era, na opinião de muitos, uma verdadeira "ginástica" e pessoas com mais de 1,80m não desfrutariam o melhor dos mundos na compacta cabine (por sorte, o brasileiro da década de 60 tinha um porte físico menos avantajado).
O cofre dianteiro do esportivo abrigava o estepe, ferramentas e bateria, sobrando pouco espaço para uma pequena mala (o tanque de combustível ficava localizado antes do eixo traseiro).
Em 1964 a carroceria foi reforçada e o sistema elétrico passou de 6 para 12 volts.Todos os modelos passaram a usar o motor de 845cm3 e 53cv, usado no Gordini 1093, com novo cabelote, pistões, comanndo de válvula, tubagem e carburação dupla. Também foram adotadas novas calotas, volante menor e um corte no túnel de transmissão antes da pedaleira permitia o “punta-tacco” (uso simultâneo do pé direto para acelerar e frear).
O Interlagos deixou de ser produzido em 1966, acumulando 822 unidades construídas.
 Acima, o pequeno porta-malas. Fácil acesso à cabine do conversível.

PRODUÇÃO: 1962 = 218 unidades; 1963 = 138; 1964 = 209; 1965 = 149; 1966 = 108.  
Ao todo, foram produzidos 822 Interlagos.
 
NOTA:
A Willys se destacou em competições esportivas com o Gordini 1093 e o Interlagos. Durante a década de 60, a equipe oficial da fábrica (Equipe Willys de Competição) formou inúmeros pilotos de alta qualidade, como Bird Clemente, Luís Greco (depois chefe da equipe), Wilson Fittipaldi Jr., Emerson Fittipaldi, Luiz Pereira Bueno e outros. Esses pilotos conseguiram inúmeras vitórias em todos os circuitos do Brasil, mesmo diante da pouca potência dos carrinhos.
Um novo Interlagos, com motor 1300 Renault foi preparado, mas a Ford acabou abortando o projeto.
CADASTRO DE INTERLAGOS - 1961 a 1966

Placas: AAA 0091 – ACC 9021 - ACC 9274 - ADB 0595 – AKO 7760 - ANO 1963 - ANS 0066 - ANY 5633 - AWI 0064 - AWY 1964 – BBB 0091 - BFI 1966 - BGC 4427 – BGK2394 - BGR 1965 - BHH 8264 - BIE 9422 – BMC 7917 - BPC 1966 - BPM 1966 - BPN 7387 - BQJ 1964 – BQS1964 - BSS 4343 - CHN 1962 – CJS1964 - CLX 5355 - CMC 1964 - CNN 0190 - CPR 1962 – CQK 1963  - CRC1966 - CRR 1966 – CVZ 1965 - CXI 1680 – CYQ0024 - DDG 7160 - DDJ 1965 - DDQ 0792 - DEE 1966 - DFO 1965 - DLL 1965 - DQN 1965 – DRD 1965 – DUB 1963 - DXV 1966 - DWI 1962 – DW I1964 - DWI 1965 - DXV 1966 - DYY 1965 – EEG 3518 - EGO 1966 – EJI 4719 - EMK 1966 – ETW 1962 - EWI 1965 - FDS 0110 – FGG1962 - FJZ 1977 - FNX 1966 – FRE 1964 – FXQ 1963 - GGC 1964 - GKR 1965 - GQS 2335 - GSK 0642 – GSP 1964 -  GUL 0797 – HAL 1964 – IJF 2287 - ILJ 2044 – INF 7750 - INT 1965 - INW 1962 – INY 5633 – ISA 1963 - ISS 1965 - JEC 8463 - JFE 9506 - JFG 5501 – JFG 6607 - JFN 5183 - JFP 8158 - JGC 1964 - JGP 8334 – JHC 0064 - JIB 1964 - JJB 1963 – JJP 1963 - KDE 5597 - KEI 5958 – KFL 8432 - KOE 5597 - KPR 1247 - KSC 6811 - KSH 9069 – KSY3563 - KTL 1963 – KTW 3194 - KUU 6998 - LDE 2601 - LDN 8195 - LDU 1580 – LDU 8190 - LDX0273 - LFW 7755 - LFY 4444 – LEE 4614 – LGR 7373 - LGT 4749 – LIH8756 - LJS 2079 - MRD 0028 – MVD 6530 – PXO 1963
 
Total: 116 exemplares.

Última atualização em 21 de abril de 2017.

O EXTINTO BLOGDOSANTIGOS RENASCE AQUI

Olá internautas.

Desde criança sou aficcionado por carros antigos e até o fim de 2013 publiquei matérias sobre o tema no seguinte endereço: www.blogdosantigos.zip.net .

Mas hoje, 14 de janeiro de 2014, decidi mudar o endereço e, também, o nome do blog.

Agora, o blog se chama "carrosnacionaisantigos" e passa a funcionar neste novo endereço ( www.carrosnacionaisantigos.blogspot.com ), fiel à proposta original de 15 anos atrás, que é a de divulgar matérias relacionadas aos carros nacionais antigos, principalmente os pioneiros das décadas de 1950 a 1970.

Continuarei divulgando - e mantendo atualizado - cadastro com as placas dos carros produzidos pela extinta WILLYS OVERLAND DO BRASIL, DKW-VEMAG, FNM, SIMCA DO BRASIL etc e que continuam "vivos" e em condições de rodar. Matéria a esse respeito foi divulgada aqui: http://www.maxicar.com.br/old/reporter/5529384adrianoesteves.asp

Críticas construtivas e sugestões continuam sendo bem vindas.

Um abraço a todos e um FELIZ 2014!

Adriano Esteves Ferreira