quinta-feira, 24 de julho de 2014

13º ENCONTRO PARANAENSE DE VEÍCULOS ANTIGOS E ESPECIAIS DE ANTONINA-PR (25 A 27 DE JULHO DE 2014)

Conforme previsto, tirei o sábado (26 de julho de 2014) para conferir mais este encontro de carros antigos, na cidade paranaense de Antonina. A "comitiva" era composta por Humberto e Ana. A estrada estava livre e desimpedida, com céu azul e poucas nuvens.O frio de Curitiba foi gradualmente amenizado à medida em descíamos a serra até o nível do mar.
O encontro "bombou", com a presença de dezenas de carros antigos (nacionais e estrangeiros), de todas as marcas e modelos. Os Clubes do MP Lafer, Miura e Puma marcaram presença, e havia inúmeros Dodges (Dart, Charger, Magnum), Galaxies, Opalas, Mavericks, modelos VW e outros. A cidade estava cheia de turistas, o que aumentou a sensação de "agito".
Encontrei o amigo Davi e seu caminhão FNM (cor laranja). Ele nos contou de sua viagem até Natal, em comboio com outros proprietários de FNM. Em breve matéria neste blog.
Confira um pouco do que rolou clicando nas fotos abaixo:

    Fotos em alta resolução podem ser fornecidas mediante pedido para o mailto aeferreira@hotmail.com .


sábado, 12 de julho de 2014

1º ENCONTRO DE OPALEIROS E CARAVANS - PINHAIS/PR - 20 DE JULHO DE 2014


Fui com Beto conferir o que rolava neste encontro. Como havíamos previsto, algumas dezenas de Opalas e Caravans, uns bem conservados e outros nem tanto. Também estavam presentes alguns carros bem bacanas, como um Dodge Dart Sedan 1979/80, uma réplica de Porsche, um Corcel Cupê LDO 1976/77, placa preta, Fuscas e outros. Um dia de sol e céu, e nem muito frio fazia. Valeu a pena ter ido.

Clique nas fotos abaixo para ampliá-las: 

terça-feira, 8 de julho de 2014

CURIOSIDADES SOBRE OS CARROS PRODUZIDOS PELA DKW-VEMAG


VOCÊ SABIA?
  • A VEMAG - Veículos e Máquinas Agrícolas - foi o único fabricante nacional a usar motor 2 tempos, 3 cilindros – todos os demais modelos produzidos pela Simca, Willys, Volkswagen, Ford, Chevrolet e FNM usavam motores com 4 ou 8 cilindros.
  • O valente motor 1.0 tinha apenas 7 peças móveis, sem válvulas. Havia 3 bobinas, 3 platinados e 3 condensadores – um conjunto para cada cilindro.
  • O óleo era misturado à gasolina (inicialmente era colocado diretamente no tanque junto com a gasolina, mas depois o equipamento lubrimat fazia o serviço, adicionando-o aos poucos). Com isso, o óleo do motor não tinha que ser trocado – pois não ficava velho.
  • No Belcar, Vemaguet e Fissore o radiador ficava atrás do motor – e não rente à grade de refrigeração. Como esse motor não tem bomba d’água, a diferença de densidade da água quente e da água fria promove a circulação num processo de transferência de massa denominado "termo-sifão". E como a água circula no sistema de termo-sifão? A água fria tem um peso específico, ou seja, o peso dividido pelo volume ocupado, maior que a água quente. Portanto, se num tubo vertical houver água quente e água fria, a porção de água fria vai pra baixo deixando espaço para ser ocupado pela água quente. A água fria da parte de baixo do radiador empurra a água quente do bloco do motor canais verticais acima – desde que não obstruídos por depósitos calcários e ferrugem – água quente essa que caminha pela mangueira superior do motor e entra na caixa d água do radiador. Da mesma forma a água fria tende sempre a descer, “abrindo” espaço para a água quente ocupar o seu lugar.
  • Em favor da economia, havia a “roda-livre”, onde o freio-motor não atuava.
  • O pedal do acelerador tinha 2 estágios (pioneiro), o que promovia um menor consumo.
  • A Vemag oferecia opcionalmente o Saxomat – espécie de “câmbio automatizado”, que dispensava o pedal da embreagem. O motorista fazia apenas a troca das marchas – isso há mais de 50 anos!
  • A tração era dianteira (todos os carros dos concorrentes tinham tração traseira). Com isso, o assoalho dianteiro era quase plano e o espaço traseiro não incomodava os pés dos 3 passageiros.
  • Até o começo de 1964, as portas dianteiras da Vemaguet e do Belcar abriam de forma diferente do convencional, ou seja, “da frente para trás”. Eram apelidadas de “portas-suicidas” e com isso o Decavê era apelidado de Deixavê...
  • O DKW Vemag tinha uma traseira mais larga que a dianteira...
Ou seja, os produtos DKW eram “únicos”.

Esta matéria tem sido publicada e republicada por mim há anos. Procuro atualizá-la com textos e comentários obtidos em diversos sites e foruns da internet, e também com base em alguns e-mails que recebo dos especialistas na marca. As fotos e ilustrações foram obtidas em parte na internet, e algumas fazem são de minha autoria.

Para (muito) mais informações sobre o DKW, recomendo a leitura do livro "DKW - A GRANDE HISTÓRIA DA PEQUENA MARAVILHA" - Editora Alaúde.

terça-feira, 1 de julho de 2014

MOLDEX MB - ESPORTIVO NACIONAL COM MECÂNICA DKW


O texto abaixo é baseado em matéria publicada na Revista Mecânica Popular (Edição de Fev/1963), com alguns enxertos a partir do livro DKW – A GRANDE HISTÓRIA DA PEQUENA MARAVILHA, págs. 248 a 251. 
Acima , o Moldex MB, exibido no III Salão do Automóvel, em 1962.
Clique nas fotos para ampliá-las.

“O Moldex, que se transformou em um dos maiores sucessos do III Salão, teve sua construção iniciada em março de 1961, sendo apresentado ao público, pela primeira vez, em novembro do mesmo ano, por ocasião do II Salão do Automóvel. Trata-se de um carro esportivo, desenhado e projetado especialmente para o chassi do Belcar, da Vemag. Seu desenhista se chama Roberto Eugenio Stieler e o grande animador da construção é Rodolfo Rivolta que é, também, o seu maior admirador. Ao ser encerrado o II Salão, em 1961, Stieler e Rivolta voltaram a trabalhar no Molder, procurando introduzir novos melhoramentos, não só na aparência como também no tipo de pára-brisa, tudo de acordo com as diversas opiniões emitidas pelos visitantes que se interessaram pelo carro. Foi mais um ano de trabalho árduo, amplamente recompensado pelo grande sucesso obtido agora no III Salão, onde o Moldex se transformou, juntamente com o Fissore, o Aero Willys 2600 e a Jangada, numa das maiores atrações para o público.

O QUE É MOLDEX
Utilizando os componentes mecânicos do Vemag 1000, o Moldex é um carro esportivo, construído de Fiberglas (fibra de vidro). Pesando cerca de 150 quilos a menos do que o Belcar e com centro de gravidade mais baixo, logicamente oferece um melhor desempenho e mais estabilidade. Com exceção do radiador e da alavanca de câmbio, toda a parte mecânica é original Vemag. O radiador, devido ao desenho da carroceria, tem sua altura diminuída, sendo compensado na espessura, para melhor refrigeração – mas ele continuava insuficiente. A alavanca de mudanças que está colocada no piso foi adaptada para melhor, ficando idêntica à do VW em todas as marchas, inclusive no modo de engatar a ré.

PARTE ESTÉTICA
Muitas vezes o que é bonito para alguns, não agrada a outros. Acreditamos, no entanto, que o Moldex agradou à grande maioria que o examinou. Nós, pessoalmente, gostamos do estilo e das linhas do carro.  Jim Whipple – convidado especial de Mecânica Popular para visitar o Salão e conhecido cronista automobilístico de Popular Mechanics nos Estados Unidos – gostou muito do Moldex e emitiu o seguinte comentário sobre o carro: “É o Thundebird brasileiro”. Maior elogio não poderia ser conferido ao Moldex. Suas linhas são agradáveis, harmonizando-se em qualquer ângulo. Quando for lançado à venda, irá alcançar extraordinário sucesso.

INTERIOR
Os dois modelos apresentados oferecem 4 lugares individuais. Seus bancos foram bem estudados e são perfeitamente anatômicos. Proporcionam, não só ao motorista como ao acompanhante, notável conforto e segurança. Os assentos traseiros, naturalmente, não oferecem o mesmo conforto. O estofamento é feito em espuma de nylon e a forração poderá ser de plástico ou de couro, a opção do comprador. Os assentos dianteiros são separados por uma coluna, onde se situam a alavanca de mudanças, a ignição e partida na própria chave, local para rádio, 1 relógio e 4 interruptores, sendo 1 para os faróis (controle de alto e baixo no pé, junto ao pedal de embreagem), outro para lanternas e iluminação das placas; o 3º para luzes no painel e o último para o limpador de para-brisa elétrico de 2 velocidades, idêntico ao usado no JK e no Aero 2600. O painel de instrumentos, situado à frente do volante, é o mesmo usado no Belcar. O volante é de aço inoxidável e madeira, idêntico aos usados nos carros de corrida. O sistema de direção era da Volkswagen. À esquerda do painel, uma pequena alavanca controla o pisca-pisca. À direita, em frente ao banco do acompanhante, está situado o porta-luvas (com chave), dentro do qual fica a tranca do cofre do motor, proporcionando assim maior segurança contra roubos. O espelho retrovisor é do tipo de duas posições, uma para noite e outra para o dia. Na coluna da porta do lado da direção, que é a porta que tem chave (achamos que deveria ter chave nas duas portas), está colocada uma alavanca que abre a tampa do porta-malas. Entre os bancos traseiros existe, também, uma divisão contendo um cinzeiro e uma caixa para guardar pequenos objetos. No porta-malas, todo atapetado e de tamanho razoável para um carro esporte, estão colocados a roda sobressalente, repousando num encaixe que evita barulho, a bateria, o tanque normal de gasolina (igual ao da Vemaguet) e local para ferramentas, forrado de espuma de borracha e com iluminação interna. O Moldex possui, ainda, um tanque-extra, colocado entre o porta-malas e os assentos traseiros, por baixo da caixa onde fica oculta a capota de nylon.  Este tanque-extra proporciona um maior raio de ação ao carro, que pode fazer a viagem Rio-São Paulo sem reabastecer (capacidade de cada tanque: 40 litros – total: 80 litros). O Moldex será entregue aos seus compradores com uma capota de nylon perfeitamente escamoteável, e uma de plástico rígido, comumente chamada de hardtop, que pode ser colocada e retirada com facilidade.

CARACTERÍSTICAS
Possui o Moldex todas as características técnicas do Belcar 1000 da Vemag, oferecendo, porém, vantagens que abaixo relacionamos. A estabilidade do Moldex é ainda maior que a do Belcar, pois, além dos benefícios da tração dianteira, seu centro de gravidade é mais baixo. Devido a seu menor peso (cerca de 150 quilos a menos) e ao desenho da carroceria que apresenta menor área frontal de resistência ao avanço, o Moldex acelera rapidamente e é mais econômico. Sua instalação elétrica é, praticamente, à prova de curto-circuito por ser ela embutida na fibra de vidro da carroceria, ótimo material isolante. Assim, não há perigo de passagem de corrente nem de incêndio, havendo somente o perigo normal oferecido pela parte de fiação exposta no compartimento do motor.

PRODUÇÃO E PREÇOS
Espera a Moldex poder iniciar a produção de seus carros e sua venda ao público, no próximo mês de abril (1963). O preço do encarroçamento dos carros é calculado em aproximadamente Cr$1.700.000,00, ao qual deverá ser acrescentado o preço do chassi e motor Vemag. O preço total do carro será de Cr$2.600.000,00, quando produzido normalmente. Os protótipos apresentados ao público no III Salão estão passando, ainda, pelos últimos retoques. Quando estiver pronto, publicaremos um teste completo do carro, com o seu desempenho e focalizando suas principais características".


Notas do editor:
O Moldex MB foi o 1º automóvel brasileiro fabricado com carroceria em fibra de vidro (o 2º foi Willys Interlagos e o 3º foi o GT Malzoni).
 O MB não “vingou” por diversas razões:
  • era caro (custava o dobro de um sedan Belcar;
  • a capota dura não “encaixava” bem (deficiência do ferramental para fazer os moldes);
  • estilo conflitante (dianteira à la Pininfarina e traseira com para-lamas e teto lembrando os Beutler suíços;
  • apresentava falhas de acabamento (rugosidades e ondulações na carroceria de fibra, cuja técnica de construção ainda não era totalmente dominada).
Foram expostos no III Salão do Automóvel 2 modelos: 1 conversível branco com estofamento preto; e outro, também conversível mas na cor preta, acompanhado de uma capota rígida removível, fixada por presilhas, com estofamento vermelho. Estima-se que 3 unidades foram construídas.
 A sigla MB significa “Mecânica Brasileira” – Moldex era o nome da empresa que o produzia.