terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

FNM - FÁBRICA NACIONAL DE MOTORES (E CADASTRO NACIONAL)

A Fábrica Nacional de Motores – FNM surgiria em 1942 (no município de Xerém/RJ) para produzir motores aeronáuticos... mas a II Guerra Mundial terminaria 3 anos depois. Assim, em 1948 ela obteve licença da também italiana ISOTTA-FRASCHINI para produzir caminhões D-7600.

Com o encerramento das atividades dessa empresa, a FNM iniciaria em 1951 uma longa parceria com a ALFA ROMEO, montadora também italiana, produzindo caminhões da série D-9500 e, depois, D-11000.

Interessante observar que em 1960 não tínhamos, ainda, um carro “nacional” de luxo com desempenho esportivo. 

Vejamos o que produziam as montadoras aqui instaladas: 

DKW – Belcar e Vemaguet

VW – Kombi e Fusca 1200

Willys – Jeep, Rural, Dauphine e Aero

Chevrolet – a caminhonete Brasil 3100; e

Simca – Chambord e Présidence.

Em 21 de abril de 1960, além de produzir os caminhões D-11000, a FNM passaria a montar um elegante sedan baseado no Alfa Romeo 2000 (1957) que aqui receberia o nome “FNM 2000 modelo JK” – em homenagem ao então presidente Juscelino Kubitscheck.

Abaixo, desenhos do FNM 2000 feito por Dan Palatnik

O FNM 2000 media 4,71m de comprimento, 1,70m de largura e 1,45m de altura, com 2,72m de entreeixos. 

O porta-malas tinha capacidade para 450 litros e no tanque cabiam 60 litros de gasolina. 

Ele conseguia transportar até 6 pessoas (o banco dianteiro era inteiriço e o câmbio de 5 marchas ficava na coluna de direção). 

O moderno motor 4 cilindros, de 1.975cc, rendia 122 HP. 

A primeira leva seria produzida com peças italianas. 

O modelo era moderno e contrastava com as “carroças” aqui montadas, mas infelizmente sua produção sofreria (poucos) altos e (muitos) baixos. Importante lembrar que sua produção era uma decisão política  e a FNM concentrava seus esforços no aumento da nacionalização e da produção dos caminhões da série D-11000. 

Ser uma estatal era outro problema, pois seu quadro de dirigentes servia de "cabide de emprego" para políticos que pouco ou nada entendiam de produção de carros. 

Interessante observar que a FNM também estava sujeita às determinações do Grupo Executivo da Indústria Automobilística – GEIA, mas jamais atingiu os índices exigidos em seu carro de passeio.

Apresentada em 1962, a versão “JANGO“ (apelido do então presidente João Goulart) destacava-se do “JK” por não ter o ressalto central do capô. Por conta disso, o tradicional “cuore” ficava posicionado mais embaixo, avançando sobre o novo para-choque, agora bipartido. Nesta versão seria suprimido o friso horizontal da grade do motor e a base da placa dianteira receberia um suporte cromado. Os para-choques eram desprovidos das tradicionais "garras" cromadas. Uma carburação WEBER, com taxa de compressão aumentada, elevaria a potência para 160 HP (SAE). O interior, por sua vez, ficaria mais requintado, com volante esportivo, bancos dianteiros individuais e câmbio no assoalho. 

Ao contrário do que possa parecer, a versão “JANGO” não tinha sido lançada para substituir a “JK” na linha de produção, mas ela só começaria a ser produzido em 1964, já sob o regime militar. Como era de se esperar, a nomenclatura do “JK” seria imediantamente alterada para “FNM 2000″, enquanto a versão “JANGO” passaria a se chamar “timb” – “turismo internacional modelo brasileiro”. A razão da troca dos nomes: João Goulart tinha sido deposto pelo golpe militar e JK seria cassado mais adiante.

Bem administrada, a FNM daria a volta por cima e aumentaria sua liderança do mercado de caminhões pesados. O sedan receberia controle da qualidade e componentes nacionalizados, com menores custos de produção.

Até então o FNM 2000 estava restrito aos políticos, aos empresários com prestígio e a alguns ricaços bem relacionados com o regime. 

Em 1966 a fábrica projetaria um inédito esportivo que seria batizado de “ONÇA” (foto abaixo) montado em chassi FNM encurtado e com a mesma mecânica básica do FNM 2000:

Infelizmente o projeto não vingaria. A Alfa Romeo - zelosa da qualidade dos produtos que ostentavam a sua marca - tinha solicitado à FNM um exemplar para avaliação, e aí o negócio "melou".

Em 1967, a FNM comemoraria o primeiro quarto de século, mas a verdade é que produzia caminhão e carro de passeio com base em projetos superados. 

A concorrência se mostrava bem mais preparada: 

- a Simca desenvolvera bastante o Chambord e lançara a linha Emisul

- a Willys tinha um renovado Aero 2600 e sua versão de luxo Itamaraty; e

- e a Ford atacava com o luxuoso e sedutor Galaxie

Em breve chegariam a dupla Esplanada/Regente (Simca-Chrysler) e o novíssimo Chevrolet Opala

A verdade é que o governo federal não quis fortalecer a FNM no mercado automobilístico brasileiro e em 1968 acabou vendendo (“doando”) a fábrica à Alfa Romeo. Ainda assim, a FNM conseguiria preservar a sua personalidade, vez que a Alfa Romeo apresentava-a como “sua representante no Brasil”.

 Algumas mudanças estéticas ocorreriam no FNM 2000: os frisos laterais seriam unidos, o “cuore” seria novamente reestilizado e novas cores seriam oferecidas. A versão “timb” continuaria sendo vendida, mas apenas sob encomenda.

No Salão do Automóvel de 1968 a boa surpresa seria o modelo 1969, renomeado para "FNM 2150". 

O motor passaria de 1.975 para 2.132cc (razão do nome 2150). Com uma taxa de compressão maior, passava a render 125 HP (SAE). 

A carroceria perderia cromados e o friso lateral contínuo do modelo 1968, restando o pisca lateral. O capô plano da versão “timb” seria adotado no modelo de série, em conjunto com nova grade. O “cuore” seria redesenhado e as lanternas dianteiras ganhariam formato oval. O pára-choque dianteiro voltaria a ser bipartido (talvez para desovar os estoques). O escape migraria para baixo do para-choque traseiro e agora passava a ser oferecido servo-freio a vácuo. 

Novos opcionais: bancos dianteiros individuais e alavanca do câmbio no assoalho, além de cromadas, vidro traseiro “ray-ban” e rádio. 

Agora o sedan era oferecido em duas versões: standard e luxo (esta substituía a “timb”). 

A 1ª série do FNM 2150 herdara o painel de instrumentos com velocímetro horizontal, a direção e os freios a tambor nas 4 rodas, mas na linha 1970 o sedan finalmente receberia novo painel, com todos os mostradores circulares. O charmoso espelho retrovisor interno sairia da parte de cima do painel e seria fixado no teto, associado a um retrovisor externo (lado do motorista). A visibilidade do motorista ficaria ainda melhor com o rebaixamento dos encostos dos bancos dianteiros. De quebra, a caixa de direção ficaria menos “pesada”, para facilitar as manobras.

Para 1971, as novidades consistiam em novos volante e alavanca de comando para pisca-pisca e farol alto, além de um “cuore” redesenhado e novos frisos na grade do motor. O para-choque deixaria de ser bi-partido e receberia duas "garras", agora emborrachadas.

O modelo 1972 receberia um novo emblema, posicionado na tampa do porta-malas, representando as três principais características do carro: freio a disco, câmara de combustão hemisférica e câmbio de cinco marchas.

Era a despedida do modelo, pois estava claro que ele não era páreo para os antigos e, principalmente, para os novos concorrentes  - como o Dodge Dart (lançado em 1969) e o Maverick, da Ford. 

Ao que parece, 60 unidades foram produzidas em 1973 (para “limpar” o estoque de componentes). 

A partir de 1974, já sob o controle da italiana Alfa Romeo, passariam a ser produzidos novos caminhões das séries 180 e 210, enquanto um novo sedan seria produzido:  o moderno Alfa Romeo 2300, com freios a disco na 4 rodas (inédito por aqui). 

Em 1978 a linha de produção seria transferida para as instalações da FIAT em Betim/MG, permanecendo em produção até 1986.

Acima e abaixo, as diversas dianteiras e traseiras do FNM - 1960 a 1972

Abaixo, os diversos interiores e painéis do FNM:

 Abaixo, detalhes do amplo porta-malas:

INFORMAÇÕES ADICIONAIS

1 - os modelos FNM 2000 e FNM 2150 iam de 0 a 100 km/h em 18 e 15 segundos, respectivamente;

2 - as velocidades máximas eram de 162 e 165 km/h;

3 - os consumos médios eram de 6 e 5,5 Km/l (cidade) e 9 e 8,5 Km/l na estrada, respectivamente; e

4 - produção total: 7.426 unidades (sendo 4.356 da versão FNM 2000).

O texto acima se baseou em diversos outros divulgados na internet, dentre eles: http://alfafnm.com/historia-da-fnm/serie-jk-20002150/     

CADASTRO NACIONAL DE FNM 2000 JK – 2150 – TIMB

Placas cinza, pretas ou mercosul: AFA2150 – AFE1969 – AHF1965 - AIU3082 - ARO1968 – AVL1967 - BAH0972 - BGA5113 – BIU5356 - BLP0332 – CFE1972 - CHX1972 – CLB0067 – CLG1829 – CMB1968 – CMH1961 – COL1967 – COQ6379 - COT2150 – CPD1972 - CRI3930 - CRV6207 – CTC7834 – CZI0412 - DFI2400 - DJK1968 – DRB1965 – EJK1968 – EJK2150 – FEH2972 – FGT2150 - FJK1969 – FJK2150 – FNM0068 - FNM1960 – FNM1961 – FNM1965 – FNM1967 – FNM1968 - GNO4048 – GPV1970 – GQF5886 – GQY2918 – GSB1034 - GSY0020 – GSZ6817 – GTR9097 – GUC9773 – IBN1971 – IBT0582/IBT0F82 – ICU1970 - ICV2896 - IEJ3541 – IGC1974 – IHN0867 – III7313 – IIN2941 -  IJL1427 - IKD9128 – IKG9128 – IKV2112 - IPR1845 – IYO0015 - JAK1968 – JFU2125 – JJK2001 - KEI0430 – KSY6908 – KVG1018 – LEI7170 - LEV 1766 - LHE4130 - LEI8234 – LHK6734 – LIL1972 – LJN3027 - MAH7525 – PZK1960

Total: 79 exemplares

Última atualização em 31 de maio de 2021

2 comentários:

  1. Eu amo carros antigos sou colecionador estou gostando muito do seu blog e conteúdo muito obrigado por me ajudar com essas belas imagens.

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    1. Valeu Breno, escrevo há mais de 20 anos e adoro carros antigos.
      Abração!

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