domingo, 18 de abril de 2021

DKW CANDANGO

Acima, o Munga que deu origem ao Candango.

Em 1958 a Vemag lançou o Jipe DKW-Vemag, logo rebatizado para CANDANGO (a Willys já usava o nome Jeep no seu utilitário).

O nome "Candango" foi uma homenagem aos operários que participaram da construção de Brasília.

Abaixo, o Candango com os ex-Presidentes JK (esquerda) e João Goulart (direita):


O CANDANGO era cópia sob licença do modelo alemão Munga 4 (1956-1968), que foi vendido para a polícia alemã e para as forças armadas de vários países integrantes da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) além de ter feito sucesso em aplicações ligadas à agricultura e a todo tipo de atividade que exigisse movimentação em estradas de baixa qualidade.

Já o nome MUNGA vem da expressão em alemão "Mehrzweck Universal Geländewagen mit Allradantrieb", que significa "veículo de uso universal para todo tipo de terreno com tração nas quatro rodas".

As linhas do DKW Candango eram simples e transmitiam a impressão de robustez, mas muitos olhavam torto para os para-lamas dianteiros, que eram retos e inclinados até a linha dos delgados para-choques. Os faróis (grandes e redondos – um de cada lado) eram aparafusados nos para-lamas, assim como os piscas dianteiros. O motor ficava encapsulado por um cofre em forma de baú. O para-brisa era rebatível e o sistema de ignição era feito por meio de chave e interruptor no painel – como os demais veículos da marca. O pneu estepe era fixado no centro da parte traseira do veículo, enquanto no original Munga-4 ele ficava mais à direita, deixando espaço para a colocação de um camburão de gasolina. Havia duas minúsculas lanternas arredondadas – uma em cada lado, com as funções de luz de posição e de freio. O bocal de abastecimento ficava no painel traseiro, do lado do carona.

Abaixo, o DKW Candango em detalhes:

 
  
 

A Vemag entregava o Candango com capota de lona. Nesse caso, as portas dianteiras eram do tipo "suicida" (abriam da frente para trás - vide modelo branco, abaixo).

A capota de aço (vide modelo na cor vermelha, abaixo) era produzida em diferentes modelos por empresas independentes, e suas portas dianteiras abriam do modo convencional. 


Inicialmente o motor de 3 cilindros e 896cc rendia apenas 38 cv de potência. Ao contrário do sedan e da perua, no Candango o radiador ficava na posição “normal”, rente à grade do motor.

A partir de 1959 a Vemag adotou para toda a linha um motor mais potente, com 981cc e 44 cv de potência (ou 50 HP). Esse motor com apenas 7 peças móveis oferecia desempenho adequado no circuito fora de estrada. A média de consumo era de 8 km/l de gasolina cidade e de 10 Km/l na estrada, marca muito boa e superior à do rival Jeep. A velocidade máxima era de 95 Km/ reais (o velocímetro marcava até 100 Km/h) e a estabilidade era boa (melhor no modelo com tração integral). Ele tinha aptidão para vencer rampas com inclinação de até 50% e poderia rebocar carretas com 610 Kg de peso (sem freios) ou 750 Kg (com freios). O tanque de combustível tinha capacidade para 45 litros.

Segundo a DKW, correntes de água, inundações ou charcos a uma profundidade de até meio metro eram obstáculos facilmente superáveis. Havia uma carenagem que protegia a parte inferior de pedras e até mesmo da água. A tração dos primeiros modelos (Candango 4) era integral, com transmissão de 4 marchas (1ª não sincronizada) e alavanca no assoalho (nos veículos de passeio, a alavanca fica na coluna de direção).

 

O "Candango 4" tinha tração permanente nas 4 rodas e apresentava um desempenho inferior ao dos seus concorrentes no asfalto, além de consumir mais. 

Por isso, em 1961 surgiu o "Candango 2" – versão com tração apenas nas rodas dianteiras – que era mais econômico e seu desempenho era bastante satisfatório no asfalto, semelhante ao de um carro de passeio. Muitos proprietários utilizavam o veículo predominantemente no asfalto e, por isso, retiravam o eixo cardã para deixa-lo "mais solto". 

Nesse mesmo ano o quebra-mato foi suprimido  da grade dianteira, numa tentativa de amenizar o estilo fora-de-estrada do Candango.

Abaixo, alguns dos "reclames" do Candango:

No Salão do Automóvel de 1962 a Vemag apresentou o modelo Candango-2D, com alavanca de cambio na coluna de direção, rodas menores, suspensão especial, cambio totalmente sincronizado, eixo traseiro rígido, revestimento e capota especiais, nas cores branco ou perola. 

Tal como o Arpoador, o Candango-2D nunca chegou a ser comercializado.

Abaixo, detalhes da alavanca de câmbio na coluna, do modelo 2D:


Em 1963 a Vemag planejou vender carros na Europa, mas não deu certo. 

A recusa da AUTO UNION em prestar auxílio financeiro fez com que a Vemag decidisse retirar os “4 círculos” do logo frontal, sobre o capô do motor. 

Nesse mesmo ano o Candango saiu de linha, em face do desinteresse do exército brasileiro, o que inviabilizou sua produção em larga escala. 

Basta lembrar que a caixa de câmbio era importada e as exigências quanto ao índice de nacionalização de peças inviabilizariam o modelo produzido em baixa escala. 

Foram produzidas, ao todo, 7.848 unidades do Candango.

DKW CANDANGO: CURIOSIDADES E CADASTRO NACIONAL

CURIOSIDADES DO DKW CANDANGO

No “Candango 4” o freio de estacionamento está localizado ao lado direito do motorista, entre os bancos dianteiros, e aciona um pequeno tambor na entrada do diferencial traseiro, imobilizando portanto o eixo cardã.

No “Candango 2” o freio de estacionamento passou para o lado esquerdo do motorista e aciona os freios traseiros por meio de cabos.

Alguns dos primeiros Jipes DKW produzidos no Brasil (modelo 1958) apresentavam a disposição clássica para a abertura das 4 portas (abrindo de frente para trás), mas logo foi adotada a abertura da porta dianteira dos automóveis produzidos pela Vemag (as dianteiras eram “suicidas” – abriam da frente para trás).  Com isso, as portas do Candango eram fixadas na coluna central.

Há, ainda, uma 3ª versão do Candango, o “ARPOADOR” (3 fotos abaixo) que, na verdade, era uma versão simplificada do Candango com tração dianteira, destinada ao lazer.

ABAIXO, O CANDANGO ARPOADOR


O Candango Arpoador nunca foi comercializado, mas deu origem ao Praiano, esse sim vendido algum tempo depois.

O "PRAIANO" (abaixo) era oferecido unicamente na cor azul claro, possuía rodas de aro 15 e era vendido sem portas e sem capota.


CURIOSIDADES:

A Vemag não produzia capota de aço (o Candango vinha, de série, com capota de lona). A capota rígida era produzida em diferentes modelos por empresas independentes.

Os limpadores de para-brisa eram comandados por dois motores independentes, um de cada lado da cabine.

Por fim, o para-brisa do Candango era rebatível e o sistema de ignição era feito por meio de chave e interruptor no painel – como nos demais carros de passeio da Vemag.

Dimensões do Candango: Comprimento = 3,45m; Largura = 1,70m e Altura = 1,74m (2,00m de entre-eixos).

O veículo pesava 1.085 Kg e podia transportar 355 Kg de carga útil, exceto o motorista.

Vale uma visita aqui: http://www.dkwcandango.com.br/

 

CADASTRO DE DKW CANDANGO

Placas cinzas, pretas ou Mercosul: ABO4673 – ABZ6979 – ACM6166 - ADH1958 – ADM7B61 - ADW1961 – AEF9853 – AEY6790 – AFW0137/AFW0B37 - AHQ6534 – AIJ5060 - AJL5667 – AJQ7964 – AKV 1959 - AMV8391 - ARA0561 – AUH1959 – AXM1960 – BDD0001 - BDW1960 - BFA5861 – BFJ5180 - BFK1648 – BGB7351 – BHM7F40 - BIE3657 - BJN1960 – BMB1990- BMC7698 - BMT5784 – BNN2457 – BNT2503 - BOD1959 – BOE2404 - BQF8763/BQF8H63 – BXN0531 - BYM4587 – CBH7405 - CBU1960 – CBU1961 - CCI3410 - CDR1960 - CEN2218 – CHB6622 - CHJ1961 - CHY1592 - CIK4527 - CLX5381 - CLZ6623 – CMG0E25 - CMM1960 - CMY3372 - COW8403 - CQC9253 – CQN9129 – CRJ1484 - CRL1959 - CRS0061 – CSS8701 - CSU0253 – CSV9947 - CTI1960 – CTR0037 - CTU3485 - CVK3909 – CVX4171 - CXN1960 – CXX5512 - CYS8226 – CZD1960 - CZV8761 - DAU1961 – DBH1960 DBV5259 - DBV9884 - DDG1258 – DFJ3515 – DFT1960 - DGX5034 – DHX1960 – DJD7181 – DKA1156 - DKB5058 - DKP0061 – DKW0590 - DKW1000 - DKW4333 – DKW6262 – DMB7361 - DRS1960 – DSE0871 - DTS9081 - DTZ1962 – EBW1960 - EDD1960 - EHN1959 – EIQ5229 - ELL1961 – ELL1963 – EPR5435 – EQJ1960 - ETT2661 - EWP1959 – FEV1960 – FJL1961 – FPG1958 - GLA9853 – GMY6864 - GNC3465 – GNJ4740 - GNM1634 – GPG9085 – GPJ3438 – GPY1822 - GQF9089 - GSI1047 - GSJ3327 - GTR3041 - GUO1962 – GUP6772 – GUV2851 - GUY5324 - GVM1776 - GWM5295 - GWO2506 - GZJ5639 – GZJ 7349 - HAA4696 – HHH1959 - HQL0402 - HQL9070 – HYW1958 – IAS5883 – IAX 6786 - IBD1547 – IBM7508 - IBW4565 – IBX8296 - ICS8472 – ICT8330 – IDC0986 – IDC9108 - IEB3024 – IEP7979 - IEW6801 - IFG1962 – IFK0394 - IFO6398 - IFQ5067 – IGG2545 - IGG3338 – IGK3872 – IGN8675 - IGP7768 – IHE2919 - IHE6608 – IHG4411 - IHH4048 - IHI3271 - IHK4122 – IHO8863 - IHW1491 – IHX4981 - IIC0636 – IIE0901 - III6379 - IIJ6320 – IIL0209 – IIP0131 - IIP8805 - IIS3481 – IIS6049 - IIZ5004 – IJC7351/IJC7D51 - IJE0086 – IJE1780 - IJM3369 – IJN5725 - IKD1961 – IKI5736 - IKW1958 - ILM7629 – ILO4958 – ILS3008 - ILY5291 - IMJ3369 – IMJ7566 - IPI9992 – JAE1961 - JEI0009 – JOO6838 – KBP2849 - KCE 1739 – KCG1147 - KCG3402 – KHN1961 – KLE1960 - KLL9947 - KNW0857 – KSC0296 – KTV6743 – KUG5589 - KUI9216 - LDB2875 - LDE0465 - LEJ6323 – LEV6357 - LHO7936 - LIH1912 – LNP2286 - LWU1139 - LXH3580 – LXV9911 – LZA3552 - LZH3790 - LZJ6966 - LZK2017 – MAI2843 - MAJ3835 - MAK1961 - MAS3355 – MAX6977 - MAY5908 – MBI 9309 - MBK0086 - MBP7345 – MCK4931 - MCN5446 - MDM4059 - MDW6482 – MEW1961 - MJR1960 - MUQ6108 - NQL1960 – OAU3224 – OMH2611

Total: 245 exemplares

Última atualização em 22 de agosto de 2026.

quinta-feira, 8 de abril de 2021

CURIOSIDADES SOBRE OS DKW-VEMAG

 

A "VEMAG - Veículos e Máquinas Agrícolas" - foi o único fabricante nacional a usar motor 2 tempos, 3 cilindros.

Todos os demais automóveis produzidos pelas outras montadoras (Simca, Willys, Volkswagen, Ford, Chevrolet e FNM) usavam motores com 4, 6 ou 8 cilindros.

O valente motor DKW tinha apenas 7 peças móveis, sem válvulas. Havia 3 bobinas, 3 platinados e 3 condensadores – um conjunto para cada cilindro.

O óleo era misturado à gasolina (inicialmente era colocado diretamente no tanque junto com a gasolina, mas depois o equipamento lubrimat fazia o serviço, adicionando-o aos poucos). Com isso, o óleo do motor não tinha que ser trocado – pois não ficava "velho".

Nos modelos Belcar, Vemaguet e Fissore o radiador ficava posicionado atrás do motor – e não rente à grade de refrigeração. 

Como esse motor não tem bomba d’água, a diferença de densidade da água quente e da água fria promove a circulação num processo de transferência de massa denominado "termo-sifão". 

E como a água circula no sistema de termo-sifão? 

A água fria tem um peso específico, ou seja, o peso dividido pelo volume ocupado, maior que a água quente. Portanto, se num tubo vertical houver água quente e água fria, a porção de água fria vai pra baixo deixando espaço para ser ocupado pela água quente. A água fria da parte de baixo do radiador empurra a água quente do bloco do motor canais verticais acima – desde que não obstruídos por depósitos calcários e ferrugem – água quente essa que caminha pela mangueira superior do motor e entra na caixa d água do radiador. Da mesma forma a água fria tende sempre a descer, “abrindo” espaço para a água quente ocupar o seu lugar.

Em favor da economia, havia a “roda-livre”, onde o freio-motor não atuava. O perigo estava nas descidas de serra...

O pedal do acelerador tinha 2 estágios (pioneiro), o que promovia um menor consumo.

A Vemag oferecia opcionalmente o Saxomat – espécie de “câmbio automatizado”, que dispensava o pedal da embreagem. O motorista fazia apenas a troca das marchas – isso há mais de 50 anos!

A tração era dianteira, enquanto todos os carros dos concorrentes tinham tração traseira. Com isso, o assoalho dianteiro era quase plano e o espaço traseiro não incomodava os pés dos 3 passageiros.

 

Até o começo de 1964, as portas dianteiras da perua Vemaguet e do sedan Belcar abriam de forma diferente do convencional, ou seja, “da frente para trás”.

Eram apelidadas de “portas-suicidas” e com isso o Decavê era apelidado de "Deixavê".

A partir de 1965 esse charmoso detalhe foi deixado de lado e adotou-se a abertura de portas convencionais, em nome da "segurança".

O elegante sedan 2 portas Fissore foi projetado e lançado no mercado nacional em 1962 com o sistema de abertura convencional.

O DKW Vemag tinha uma traseira mais larga que a dianteira. Com isso muitos motoristas que trafegavam por passagens estreitas ficavam surpresos pelos para-lamas traseiros raspados - o que não ocorria nos dianteiros...

O jipe Candango tinha tração nas 4 rodas e a "reduzida" - que duplicava o número de marchas - permitindo ao valente jipinho transpor todo tipo de terreno.

Ou seja, os produtos DKW eram “únicos”.

Esta matéria tem sido publicada e republicada por mim há anos. Procuro atualizá-la com textos e comentários obtidos em diversos sites e fóruns da internet, e também com base em alguns e-mails que recebo dos especialistas na marca.

Para (muito) mais informações sobre o DKW, recomendo a leitura do livro "DKW - A GRANDE HISTÓRIA DA PEQUENA MARAVILHA" - Editora Alaúde.