sábado, 22 de agosto de 2026

DKW/VEMAG - HISTÓRIA E CADASTRO DA PERUA VEMAGUET

VEMAG: Veículos e Máquinas Agrícolas 

A montadora alemã DKW foi fundada em 1916 pelo dinamarquês Jorge Skafte Rasmussen, e começou produzindo os "carros de energia a vapor" - ou "Dampf Kraft Wagen". Daí se originou a sigla DKW.

Anos mais tarde desenvolveu um motor de 2 tempos que ficou conhecido como “Das Kleine Wunder”, que significa “A Pequena Maravilha”.

Em 1931 a DKW lançou seu primeiro automóvel movido a gasolina: o FRONT - com motor 2 tempos e tração dianteira.

Na esteira da grande depressão de 1930, a DKW acabou associando-se à AUDI, HORCH e WANDERER em 1932, formando a conhecida AUTO UNION, cujo símbolo são 4 argolas entrelaçadas, atualmente utilizado pela AUDI.

A argola mais à esquerda representa a Audi; a segunda representa a DKW; a terceira a Horch e a da extremidade direita representa a Wanderer. As 4 empresas continuaram razoavelmente autônomas logo após a fusão, inclusive utilizando suas próprias marcas comerciais. Quando a DKW passou a fazer parte da Auto Union, seus símbolos sempre apareceram juntos.

Em 1945 foi fundada a Distribuidora de Automóveis Studebaker, no bairro do Ipiranga/SP. Ela montava carros de passeio, caminhões e tratores das marcas Studebaker, Scania-Vabis, Kenworth, Massey-Harris e Ferguson.

Em 1952, com a importação de automóveis e caminhões começando a ser restringida em face da grave crise cambial do Governo Vargas e, também, pela crise financeira por que passava a Studebaker nos EUA, a Distribuidora de Automóveis Studebaker e a empresa ELIT – Equipamentos para Lavoura e Máquinas Agrícolas (que também importava os Massey canadenses) se fundiram e deram origem à VEMAG – “Veículos e Máquinas Agrícolas S/A”.

Em 19/11/1956 a VEMAG lançou o veículo que conquistou o Certificado nº 1 da GEIA, o “DKW-VEMAG UNIVERSAL”, baseada na perua Sonderklasse Kombiwagen Universal F-91 (fabricada na Alemanha de 1953 a 1955). Não custa lembrar que o primeiro carro nacional, lançado dois meses antes, foi a pequena Romi-Isetta...




De 1956 até meados de 1959 a Vemag se valeria de um motor 2 tempos de 896cc e 38 cv de potência pela norma DIN (alemã). Depois passaria a usar outro de 981cc e 44 cv (mas a partir daí a fábrica divulgaria a potência como 50 HP (sistema SAE, americano)...


A transmissão e a suspensão da F-91 eram alemãs, mas o índice de nacionalização do carro era de incríveis 54,3%.

A grade do motor lhe renderia o apelido “risadinha” (o Toyota Etios, lançado em 2012, deve ter buscado inspiração nela...). A 1ª marcha ainda não era sincronizada. As lanternas traseiras eram pequenas e redondas. A porta traseira era repartida ao meio, e se abriam no sentido vertical.

Em 1957 essa camioneta sofreu pequenas alterações, como o desenho das portas traseiras, que abriam verticalmente para os lados e passaram a abrir horizontalmente em duas folhas, uma delas abrindo-se para cima e a outra, para baixo.

Em 1958 a VEMAG passou a fabricar um sedan e uma camioneta baseados na família F-94, mais moderna que a F-91.


No segundo semestre a perua “DKW-Vemag Universal” daria a vez a uma camioneta mais moderna (foto acima), derivada do F-94 alemão, com grande índice de nacionalização. Inicialmente se chamava “DKW-VEMAG” e, a exemplo do sedã, era equipada com um motor de 900 cm³.

A partir de 1959 a Vemag adotaria um "motor 1000" mais potente, com exatos 981cc e 44 cv de potência (ou 50 HP), em substituição ao antigo, de 896cc e 38 cv.

Em 1960 as rodas do sedã e da perua passariam a ter oito furos, já que os freios eram bastante exigidos, em parte pelo uso da roda-livre. 


Os automóveis da Vemag seriam, também, os primeiros carros brasileiros a receber sincronização nas 4 marchas, em 1960.

Em 1961 a perua “DKW-Vemag" seria renomeada como VEMAGUET. Os para-choques seriam redesenhados e ficariam mais eficientes e elegantes. O modelo também ganharia novas calotas.

Em 1962 a Vemaguet passaria a usar as lanternas traseiras na posição horizontal, enquanto a tampa do porta-malas perderia os frisos verticais cromados.

A Vemaguet daria origem a uma versão popular chamada CAIÇARA (foto abaixo) cuja porta traseira abria lateralmente e mantinha as lanternas na antiga disposição vertical. O para-choque traseiro também era o antigo, bi-partido. O dianteiro era o mesmo usado até 1960.   


Despida de frisos e forrações internas, a CAIÇARA seria comercializada em apenas 2 opções de cores: bege e azul claro, com o acabamento interior em plástico vermelho.

O mercado rejeitaria a Caiçara (apenas 1.173 compradores, contra 16 mil Vemaguets).

No mesmo ano a Vemag tinha projetado o FURGOMAG (foto abaixo), uma Vemaguet sem janelas e sem o banco traseiro, mas a proposta acabaria sendo engavetada.

Interessante observar que o mercado de caminhonetes compactas só surgiria dezoito anos mais tarde, com o Fiat Fiorino...

Em 1963 a Vemag tentaria vender carros na Europa, mas não daria certo.

A recusa da AUTO UNION em prestar auxílio financeiro faria com que a Vemag decidisse retirar os “4 círculos” do logo frontal, sobre o capô do motor.

Em 1964 a 2ª série da perua Vemaguet (e também do sedan Belcar) passaria a se chamar "1001", e ficaria marcada por alterar o sentido de abertura das portas dianteiras, que deixariam de ser "suicidas", passando a abrir para trás. Mais funcionais, sem dúvida, porém menos "charmosas" que as da 1ª série, abaixo:

O estilo de pintura "saia-e-blusa" deixaria definitivamente de ser oferecido.

Com o Brasil em crise política e econômica, a Vemag relançaria uma Vemaguet popular, renomeada como PRACINHA. Desta vez contaria com financiamento especial da Caixa Econômica Federal para alavancar as vendas. Ao contrário da Caiçara, a porta traseira abria como o da Vemaguet “normal”.

Em 1965 o "Lubrimat" (mecanismo que misturava automaticamente o óleo à gasolina – com 1 litro de óleo podia-se rodar até 1.000 Km) passaria a ser item de série em toda a linha de veículos.

A “Caiçara” ressuscitaria apenas para dar origem a 99 unidades, contra 624 Pracinhas – provavelmente para desovar peças em estoque.

Nesse ano seria lançada a linha "Rio", em homenagem à então capital federal, que aniversariava.

Em maio de 1966 a Vemag lançaria o Belcar e a Vemaguet “S” (ambos com motor de 60 HP, do Fissore). A Pracinha deixaria de ser produzida.

No fim do ano seria lançada a renovada e derradeira "linha 1967" com faróis duplos nas dianteiras do Belcar e da Vemaguet, além de nova grade dianteira e novos para-choques.  A Vemaguet ganharia lanternas traseiras maiores e envolventes (também aplicadas no Fissore).

O sistema elétrico de toda a linha DKW passaria de 6 para 12 volts e os carros ganhariam o mais eficiente alternador no lugar do dínamo. O diferencial ficaria mais “longo”, passando a 4,7 k de redução, e com isso melhoraria um pouco as velocidades máximas, sem alterar a aceleração. Seria o canto do cisne” e o melhor F94 já produzido no mundo.

Em dezembro de 1967 a Volkswagen encerraria a produção dos valentes DKW.

Ao todo, 115.009 unidades foram produzidas (de 1956 a 1967). Mas em 1968 ainda seriam comercializados 3.514 carros que existiam no estoque...

CADASTRO NACIONAL DE VEMAGUET

 Placas cinza, pretas ou Mercosul: AAA7395 – AAH2575 – AAI1967 - AAM6125 – AAS1965 - ABH6767 - ABX9141 - ACH2547 – ADA0714 - ADQ6932 – AFK6E98 - AGJ8372 – AGL3878 - AGY4953 – AHU5707 – AHY1F78 – AHY3B78 - AIH8509 – AIP3301 – AJE 3219 - AJE4426/AJE4E26 – AJE9080 – AJI3910 - AKB4256 – AKC2757 – AKH6617 - AKV5031 – AKW1965 – ALM1967 – ARN1967 - ATE1964 - ATQ1480 – AVC1967 - AVE1967 – AVT1960 – BET 1967 - BFC6195 – BGO2963 - BHJ0333 - BIB2306 – BII2097 - BIZ1962 – BJF5941 – BJQ4H54 - BKC9201 – BKP1840 – BKT7965 – BLC1967 - BLI2189 - BLZ2266 – BNY0776 – BPX8949 - BPX9847 – BRB6318 – BRI1964 – BSC9152 – BSY1483 - BUN2845 - BVA8043 – BXL1203 - CBG1890 – CBJ4802 – CBW9829 - CDK1631 – CDU1966 - CEH4756 – CEN2E38 - CEP5902 – CGH7933 – CGI1967 - CGZ1965 – CEP6494 - CHJ4450 – CHJ5J69 - CIL0671 – CIW1961 – CJT9881/CJT9I81 - CKY1964 - CLZ4084 – CML3371 - CMX9207 - CNE0067 – CNP1693 – CNP7E37 - CNY1967 – COK1631 – COL1960 – COQ3102 - CPC2258 - CPZ1965 – CQT0421 – CQV7427 - CRP4968 – CRS9792 – CRV1964 - CRW4724 – CSM0338 - CSP1966 – CSQ5227 - CSQ5539 – CTQ7367 – CTU9018 - CVB9906/CVB9J06 – CVE0963 – CVH9833/CVH9I33 - CVT1050 – CWL0614/CWL0G14 - CXC1962 – CXC5062 – CXE6387 - CXI5551 – CXM6993 – CXR1357 – CXT4310 - CYD0067 - CYF7969 – CYT8231 – CYV8864 - CZG1956 – CZH1962/CZH1E62 – CZI1463 – CZI4052 - CZQ9612 – CZU4964 - DAI1231 – DAU8661 - DAW5437 – DAW7564 - DBG1990 – DBG2758 - DBG3431 – DBI2497 - DBI7689 – DBX3667 - DCQ6445 - DCX9472 – DGL0575 - DFJ2038 - DHF1234 – DIJ2684 – DIR9F61 - DJA1960 – DKD1967 – DKK1965 – DKP1963 - DKQ7852 – DKT2166 – DKV1965 –– DKW0670 – DKW0767 – DKW1333 – DKW1961 – DKW1962 - DKW3067 – DKW6961 - DKW6700 – DKW6767 – DKW7333 – DMD5821 – DSD1080 – DVE1J67 - EAS5663 – EAS6967 - EDE1967 – EDU9847 – EDW1967 – EEI1J64 - EIX1964 – EJF1964 - ERD958 - EWM2368 – FDM0E67 - FJP1962 – FKV1966 – FRF1964 - FRM1959 – FTT1967 - FXQ1961 – GBJ1966 – GCV1967 - GCY1967 – GKK3415 – GKM2209 – GKT0J08 - GLA2951 - GLA9478 - GLD6188 - GLF1964 – GLQ4655 – GLX8107 – GMN1928 - GMN1961 - GNB1547 - GNB4772 - GNN9531 – GNO1962 - GNW1857 - GNX8865 – GOP1963 – GOX6651 – GPG8701 – GPL2240 - GPR5514 - GQB4311 - GRB1965 – GRG3799 – GRJ1957 – GRX7775 - GRX9189 – GRX9231 – GRY6259 - GRY9180 – GRZ3498 - GSC7741/GSC7H41 - GSG9467 – GSY5729 – GSY5915 - GTB7583 – GTK3053 - GTR1194 – GTT3752 – GTX3053 - GUB5887 – GUF7782 - GVB1967 – GVI1965 – GVR3561 – GVS1110 – GVW5285 – GWC7462 – GWF1077 – GWH1966 - GWH8797 – GWL4170 - GWL6988 - GWM7690 – GWO0538 - GWZ1958 - GXC6552 – GXI6759 - GXJ2024 – GXJ7754/GXJ7H54 – GXK7904 - GXP0043 – GZE9810 – HCA1958 – HFG1965 – HFR4C65 - HLD7561 – HLT5I77 - HMP1453 – HMS0211 - HTC5828 – HVB4604 - HVQ1967 – HWU9603/HWU9G03 - HZH1961 – IBT1810 – ICR5152 - IDB1831 – IDH2887 – IDI3390 - IDO8449 – IEC0791 – IEC2180 - IEI7684 – IEP9038 - IES7810 – IFB1962 – IFC3147 - IFE8730 – IFQ5282 - IFV7909 – IFZ2300 – IGR5576 - IGR7908 – IGX2G79 - IHD0713 - IHE9965 – IHG5503 - IHL3366 - IHN4146 – IHN7658 – IHO0B78 - IHS1120 - IHU6183 – IHV5790 – IHV7548 – IIA6058 - IIC0924 – IIE6714 – IIF2756 – III1509 - IIJ0106 – IIJ9488/IIJ9E88 - IIP0596 – IIP7604 – IIQ5441 – IIR5107 – IIS5940 - IIU9793 - IIW9123 – IIX9134 - IJE3214 – IJM5298 - IKC5703 - IKF2353 – IKK2918 – IKL0496 -  ILU3269 - IMA1967 – INV9209 - IPX1966 - IRF0848 – IYV2D85 - IZU1I45 - JAO1961 - JAS1967 – JAU1965 - JDP7820 – JDY 7028 - JEI1967 – JEK7843 – JFA8640 – JFD0833 – JFF5801 – JFJ 1228 - JFP1962 – JFQ2643 – JFS2285 - JGB3778 – JGI7255/JGI7C55 - JGO6448 - JGP1963 – JIN1966 – JJV1967/JJV1J67 - JKQ7919 – JWH2043 - KBF8862 – KBR8777 - KFK5977 – KJI8460 - KPS0222 - KSB1188 – KSC1962 – KSN0880 - KSV6431 – KTC0509 - KTJ0391 – KTK1313 - KTO9256 - KTR2117 – KTT3830 – KUG5B06 - KUP5505 – KVA5598 – LDN4389 – LDR0869 – LDW3226 - LDW4958 - LEN8953 – LZS7638 - LZY9436 – MAE 1842 - MAE2441 – MAQ7184 – MAS1966 – MAW8572 – MAY1397 - MBA8556 – MBD1965 – MBJ1059 - MBJ7526 - MBQ4937/MBQ4J37 – MBQ5917 - MIA5790 – MIJ2384 - MLV1965 – MTM9114 – NFI5141 - OGT4749 - PBR1918 - PXN8891

Total: 384 exemplares

Última atualização em 22 de agosto de 2026 

sábado, 30 de maio de 2026

ALFA ROMEO 2300 - HISTÓRIA E CADASTRO NACIONAL

Desde 1968 a Fábrica Nacional de Motores – FNM estava sob o comando da própria Alfa Romeo, que somente 6 anos mais tarde lançaria um projeto inteiramente novo para substituir o envelhecido FNM 2150 – que era basicamente o mesmo carro desde 1960.

Em relação aos carrões de origem americana da época, o JK era um esportivo oferecido como carro de luxo, mas custava muito caro e a concorrência já era bem grande e diversificada (Dodge Dart, Galaxie, Opala 6 cilindros e em breve o Maverick). 

Assim, em 1972 o FNM 2150 teve sua produção paralisada e o substituto viria da Itália (com linhas inspiradas no modelo Alfetta Berlina) - e era um projeto exclusivo para o Brasil.

Em março de 1974 – coincidindo com a crise internacional do petróleo – estreou no Brasil o Alfa Romeo 2300

Era um sedan de 4 portas, com linhas sóbrias e elegantes e alma esportiva. 

A frente baixa tinha grade preta com o tradicional "cuore" ao centro. 

Os 4 faróis circulares (marca registrada da Alfa, que estreou no modelo Sprint 2000) acendiam simultaneamente com o facho baixo. 

Os para-choques eram cromados e havia um borrachão preto em sua extensão.

As laterais do sedan tinham desenho simples e traseira elevada. A parte traseira foi alvo de críticas dos “especialistas” da época porque os carros tinham traseiras baixas... mas em alguns anos o design evoluiria para carros com traseiras altas – e foi o que ocorreu quando do lançamento do VW Santana e do Chevrolet Monza Sedan.

Com 4,69m de comprimento, 1,69m de largura e 1,46m de altura (entreeixos = 2,73m), oferecia amplo espaço interno e no porta-malas.

O motor de 2.310 cm3 e 4 cilindros (com cabeçote em alumínio) era uma "evolução" do motor do Alfa 2150 brasileiro e agora rendia 140 cv, deslocando com desenvoltura os 1.400 Kg do carro. A mecânica foi incrementada com válvulas de escapamento refrigeradas à sódio, freios a disco nas 4 rodas, câmaras de combustão hemisféricas e eixo de manivelas apoiado em 5 mancais. o carro acelerava de 0 a 100 Km/h em 11,7s e alcançava a boa velocidade máxima de 170 Km/h. 

Em favor da segurança, o capô do motor abria no sentido do para-brisa para a frente. 


O painel de instrumentos era completo, com mostradores redondos, as tradicionais luzes-espia e um volante (de alumínio) com acabamento em madeira. 
Outra exclusividade do modelo eram os cintos de segurança de 3 pontos, inclusive para os passageiros do banco de trás. 
O 2300 vinha bem completo de fábrica e oferecia poucos opcionais, como ar condicionado, vidros verdes e console central (com rádio e relógio analógico). 
Diferente dos principais concorrentes, o Alfa tinha bancos individuais reclináveis com acabamento em courvin. Quando a cor da carroceria era num tom mais escuro, o estofamento era em tom creme; do contrário, o interior era na cor preta. 
Cinco pessoas desfrutavam de ótimo espaço e o porta-malas tinha capacidade para nada menos que 600 litros. 

Nos primeiros anos de produção o 2300 foi oferecido em versão única.

De 1974 a 1986, sutis alterações de estilo na dianteira  e na traseira.

Abaixo, os diferentes painéis de instrumentos utilizados:

A proibição total de importação de automóveis se deu em 1976.

No Salão do Automóvel daquele ano o modelo 1977 foi mostrado em 2 versões: a “B” (mais simples) e a topo de linha TI (turismo internacional) – esta com aprimoramentos mecânicos para mais performance.

A versão “B” tinha carburador único de corpo duplo e ganhou 1cv de potência (passou a 141 cv), enquanto a TI – graças aos 2 carburadores italianos Solex 40 ADDHE 12 – rendia nada menos que 149 cv. Seu desempenho permitia enfrentar pesos-pesados como o Dodge Charger RT e Maverick GT – ambos com motor V8, e também o Opala 6 cilindros, mas vencia os oponentes num item nada desprezível naqueles tempos, que era o consumo menor (seu motor era 4 cilindros). A velocidade máxima era de 175 Km/h e aceleração 0-100Km/h requeria apenas 10,8 segundos, com segurança. Um desempenho respeitável até para os padrões atuais, visto que se tratava de um carro pesado (1.400 Kg). 

Com um tanque com capacidade para 100 litros de gasolina e consumo médio de 9,8 Km/l à velocidade constante de 80 Km/h, a autonomia do “B” podia alcançar os 1.000 Km! 

O painel era novo e ainda mais completo, no formato retangular. Os acabamentos internos receberam tecidos nobres e os bancos ficaram ainda mais confortáveis. As duas versões ganharam novas maçanetas (embutidas e aerodinâmicas), novos para-choques (envolventes) e um exclusivo volante com regulagem de altura.

O luxuoso "TI" tinha para-choques pintados em preto fosco e lanternas dianteiras embutidas, além  de 2 frisos na grade dianteira. Nas colunas traseiras o modelo ostentava o trevo de 4 folhas ("quadrifoglio"), símbolo adotado apenas nos carros “top” da Alfa Romeo. Só ele oferecia exclusivas saídas de ar no console, voltada para os passageiros do banco de trás.

Em 1978 surgiu uma versão destinada à exportação, o “Alfa 2300 Rio” (FOTO ACIMA) cujo motor tinha maior taxa de compressão (a gasolina europeia tinha octanagem superior à da brasileira) e com isso a potência saltava para 160 cv. Esse carro seria vendido na Alemanha mas problemas na exportação paralisaram sua produção e poucos modelos foram vendidos no exterior. Nesse mesmo ano a Alfa Romeo cedeu o controle da fábrica para a Fiat, que prosseguiu montando o 2300. Aos poucos a linha de produção do carro saiu de Xerém/RJ para Betim/MG, onde com instalações mais modernas foi possível corrigir alguns defeitos do modelo, melhorando o isolamento acústico e a proteção contra corrosão.

Em 1980 o sedan passou a ser denominado Alfa TI-4 e a versão B passou a se chamar SL (Super Luxo). Os modelos ganharam direção hidráulica progressiva de série, o que proporcionava maior segurança e conforto.

Em 1981 os Alfa passam a utilizar o mesmo diferencial – e eixo traseiro – usados na linha Chevrolet Opala.

Em 1982 a versão SL deixou de ser produzida, e para o seu lugar foi desenvolvida a versão “Álcool TI”. Ambas as versões passaram a usar ignição transistorizada, e receberam um novo cabeçote, com maior taxa de compressão (de 7,6 para 7,9). 

O Dodge Dart/Charger e o Maverick não eram mais seus concorrentes, mas o Ford Del Rey (lançado em 1981, com 2 e 4 portas), se mostrou um rival perigoso.

Em 1983, quando o Landau saiu de linha, o 2300 virou referência em carro nacional de luxo, e mais abaixo seguia o Opala Diplomata. A Fiat sofisticou ainda mais o seu carrão e nele incorporou itens de prestígio pouco presentes em carros nacionais, como vidros com acionamento elétrico nas 4 portas, trava central elétrica comandada pelas portas dianteiras, retrovisores elétricos com comandos localizados na porta do motorista, porta-malas e bocal de abastecimento com comando elétrico de abertura, relógio digital de horas no teto e iluminação com temporizador. 

A versão Ti ganhou novas rodas de liga-leve. Com isso seu preço foi às nuvens e ele se tornou o carro de série mais caro do Brasil – para comparar, ele custava o equivalente a 5 Fuscas ou 2 Opalas Comodoro “0 Km”! 

A produção despencou para pouco mais de 700 unidades, em 1983.

Em 1984 vazou a informação de que que o modelo estava no "fim da vida" e o consumidor rapidamente migrou para o CHEVROLET Opala e o FORD Del Rey. Ainda assim a Fiat realizou um último face lift no modelo 1985, que ganhou novos para-choques (mais envolventes e com polainas de plástico), nova grade dianteira com perfis horizontais (que embutiam os faróis), novo "cuore" e emblema maior. As rodas foram novamente redesenhadas e ficaram mais bonitas. Atrás, novas lanternas traseiras (maiores, mas com desenho pouco inspirado) e 5 novas cores da carroceria: preto Etna (sólida) e  marrom veneto, azul itapoã, verde saquarema e cinza argento (metálicas). Novas forrações dos bancos e um novo volante completavam as mudanças, que dividiram as opiniões. Para complicar a vida do Alfa, o mercado havia recebido um novo carro de luxo, o VW Santana CD, que se revelou um sucesso.

Assim, no último ano de produção (1986) as mudanças se limitaram a novas padronagens e desenhos dos bancos, e as vendas encolheram para míseras 260 unidades. Em novembro a produção foi paralisada, mas como de praxe algumas unidades remanescentes foram vendidas posteriormente, gerando o mito de que o modelo 1987 teria sido produzido. Ao todo foram produzidas 29.954 unidades.

A marca Alfa Romeo só reapareceria no mercado em 1990 (com o modelo 164), em decorrência da abertura das importações.

CADASTRO DE ALFA ROMEO 2300

Placas cinza, pretas ou mercosulABO3296 – ACV8872 – ADR1253 – AFV3315 - AGO0527 – AHG0220 – AHW6886 – AIB0066 – AID5475 – AIN7020 - AIV3033 – AJF9083 – ALC1077 - AOD1974 - ARA1974 - BFO4306 – BGD2343 - BGO2343 – BHA7583 - BIM0739 – BIS5C75 - BIX1313 – BJJ5703 – BMK5501 – BPE8740 - BPZ9360 – BQQ4476 - BRD1984 – BRI7355 – BSG1177 – BTP5302 - BUZ2720 – BVC7694 - BWM0332/BWM0D32 - BZI7592 – BZN8338 – CAO4035 - CAR5538 - CCP5830 – CDR2265 – CDW2724/CDW2H24 - CEF1881 – CEI9746/CEI9H46 - CGA6994 – CGF4229 – CGH1F58 - CGI1E85 - CHR6081 – CHY3148 – CIL3569 - CIT0243 – CJE9C63 - CQF9016- CLF3909 – CLF9092 – CLR7436 – CLX2181 – CMA9635 - CNN0526 – CIQ4374 - CNP3769 - CNT9286 – COE1985 – COF1986 – COO2J79 - COR2265 – COZ1733 - CPB6480 -  CPH1915 – CQJ3725 – CQK2969 - CRM1345 - CRP7307- CRP7629 – CRR0380 – CRS7411 - CRV1982 - CRV2885 – CSC0670 – CSL1571 - CSM6431 – CSP2457 - CTD1853 - CTD7292 – CTR9500 – CTS0389 – CVD6961- CVV8412 - CWH7035 – CWX8938 – CXI3886 – CXT2481- CXT4291 - CXT7I94 – CXZ8777 – CYI0E42 - CYV2384 - CYY5597 - CYY8552 – CZP5299 - DAM1000 - DBH4819 – DFQ7896 – DFY8889 - DGI9282 - DHK4097 – DIZ1986 – DMA1000 - DME1981 – DPZ4786 - DRN0658 - EPV0003 – EXT2300 – FDM8179 - FET1980 – FNM0001 - GDE2300 – GGC1982 - GKL4579 - GKQ3266 - GKZ8673 – GLX6466 - GMI6363 - GND5693 – GNO3836- GNO5963 – GNO7336 - GOX2767 – GPC9731 - GPJ3540 – GPM2072 – GSD8970- GSF4300 - GSY0020 – GTI2747 – GTI8485 - GTT9865 – GUB7223 - GUP0928 - GVG6000 - GVP1983 – GVS1975 – GWJ4932 - GWL0247 – GWL3H54 - GWM9484 – GWO5069 - GWQ2099 - GXK0986 - GXK7979 – GXP5028 - GYG7072 - HDK1979 – HDQ1977 - IAZ8047 - IBL8216 – IBN8365 – IBS4704 – IBS4706 - IBZ8700/IBZ8G00 - ICG4816 – ICI1273 - ICW0175 - ICX6976 – IDJ4977 – IEN6033 - IEO5103 – IEV7966 – IFF5423 - IFP8517 – IFQ5434 – IFQ9296 – IFR1127 - IHE9074 – IHE9516 – IHF3551 - IHI5420 - IHI5512 – IHP0124 - IHX1318 – IIC3015 – IID4424 - IIJ2762 – IIJ5945 – IIL9780 - IIN9603 – IIQ2417 – IIQ2560 - IJA3617 - IJF0874 - IJG1988 – IJQ9320 - JET2300 - JEX7492 – JFF5304 – JFT5728 - JIT6767 - JJK1974 – JWR2933 – KBF4492 – KFH5700 - KHU2222 – KSD8323/KSD8D23 – KSJ3409 - KTF 9408 - KTL1788 – KTN7555 – KTT2098 - KTV9347 – KUJ5235 - KUS2329 – LDE8468 - LFH4477 – LGA2470 – LGO 1355 - LGP4440 - LHA9368 – LHF1752 – LHG5935 – LHI1012 - LIZ3599 – LXO6154 – LYA1894 - LZW5551 - MAE1965 – MAG8591 - MAO3457 – MBI1627 – MEL1986 - MUK1147 – NIV9428 - OPZ4786 – PBR1977 - PIW1981 – RKB9J37.

Total: 235 exemplares

Última atualização em 30 de maio de 2026