sexta-feira, 19 de junho de 2020

VOLKSWAGEN APOLLO - O BREVE

Os sedans compactos Verona e Apollo foram os primeiros frutos da Autolatina – constituída em 1º de julho de 1987 mediante associação da Ford e da Volkswagen, com vistas a atender aos mercados brasileiro e argentino.
As duas montadoras, que tinham origens e métodos distintos, passariam a compartilhar segredos e a projetar carros comuns com adaptações capazes de atender às necessidades de seu público tradicional.
Ao contrário do que possa parecer, não houve uma fusão, mas sim uma associação, preservando-se a identidade de cada uma delas. Para quem acha estranho essa proposta, saiba que esse tipo de associação deu origem à PSA Peugeot/Citroën. A parceria efetivamente teve início nos anos 90.

PROTÓTIPO PINE

Segundo a Revista Oficina Mecânica, nº 34, o "Pine" foi o primeiro protótipo de um modelo Volkswagen construído a partir de um Ford Verona. 
As alterações estéticas eram profundas e resultaram em dois carros com visual bem diferente do modelo da Ford. 
Além disso, a proposta era de oferecê-lo em duas opções de carroceria: um sedã e um hatchback
Por razões de custo (foco da Autolatina), o protótipo do Pine foi abandonado em favor do Apollo, que visualmente pouco diferia do Ford Verona - e esse seria seu maior"pecado".

O Apollo (cujo nome seria, segundo reza a lenda, uma "homenagem ao recém-eleito Presidente da República") nasceu como um "clone" do Verona, mas no conjunto era melhor (e mais caro) do que ele.
Visualmente o Apollo agradava mais que o Verona, interna e externamente. Nesse ponto ele se diferenciava bem mais do Escort.
Por ser um carro com pretensões esportivas, as duas portas traseiras não faziam tanta falta no Volkswagen quanto no Verona, pois o Ford foi pensado com um sedan compacto para as família...
O Apollo oferecia um excelente acabamento e itens de luxo opcionais mais comuns nos carrões da época, como ar-condicionado e teto solar
Apesar de ambos usarem a mesma carroceria básica, o Apollo era vendido apenas com o excelente motor VW AP 1.8 a gasolina (92 cv), ou a álcool, com 105 cv, carburado (2 estágios na versão a gasolina e 3 estágios na versão a álcool), acoplado a um câmbio que o deixava bem mais "esperto" (era o mesmo do Escort XR3, com relações mais curtas). 
A relação de transmissão da 5ª marcha do Apollo era a mesma utilizada na 4ª marcha do Verona. 
Só para o Verona era oferecido o velho motor CHT 1.6, que consumia menos combustível e tinha um desempenho adequado ao transporte da família, mas muito aquém do que se espera de um carro com pretensões esportivas.
O preço do Apollo, na época, era superior ao da perua VW Parati e 20% superior ao Verona. Ele se encaixava entre o VW Voyage e o VW Santana. 
O Apollo media 4,22m de comprimento, 1,64m de largura, apenas 1,33m de altura e 2,40m de entre-eixos. 
O porta-malas tinha a boa capacidade de 384 litros (um pouco maior que o do Ford Del Rey, mas inferior ao do Chevrolet Monza) mas era de difícil acesso por conta do recorte muito alto (nesse ponto o Fiat Prêmio se saía melhor porque o recorte da tampa do porta-malas era rente ao para-choque...). O Escort também oferecia mais vantagem, pois a tampa do porta-malas subia junto com o vidro traseiro, permitindo a movimentação de bagagem volumosa...

Na foto ao lado, o cobiçado teto solar - item raro mesmo nos veículos atuais - está presente em muitos dos VW Apollo que continuam em atividade. 
O equipamento é de qualidade, confere status ao modelo e oferece boa vedação. 
São raros são os proprietários que reclamam de infiltração.





O Apollo GL (abaixo) era a versão de entrada, mas não chamava tanto a atenção por conta dos para-choques pretos com apliques horizontais na cor prata, e rodas de aço com calotas. 

O Apollo GLS (abaixo) era a topo de linha e trazia para-choques na cor do veículo e rodas de alumínio que pareciam calotas (opcionalmente podia vir com rodas BBS). Havia a opção pelo acabamento monocromático (tapetes, forrações, painel e demais itens internos todos na mesma cor). 
 
A versão GLS oferecia equipamentos de série que eram opcionais no Verona, como ajuste lombar dos bancos dianteiros, vidros elétricos, apoios de cabeça traseiros (que não eram obrigatórios na época), rádio toca-fitas e aquecedor. A chave era iluminada. Ar condicionado e teto solar eram opcionais, como de praxe na época.

Finalmente havia uma série limitada VIP (ao lado), ainda mais luxuosa que a GLS e com diferenças visuais. 
Somente nas versões GLS e VIP os bancos eram os esportivos (e cobiçados) modelo Recaro. 
Em 1991 a versão VIP passou a ser equipada com rodas BBS raiadas aro 13, calçadas com pneus 175/70.

 
O painel de instrumentos do Apollo (à esquerda) era diferente do usado pelo Verona (à direita), pois o do Ford era exatamente o mesmo do Escort. O painel do Apollo unia o quadro de instrumentos e a parte central, com novos elementos. O volante do Apollo também era diferente e ostentava o logo “VW”.

No Apollo, havia um spoiler na tampa traseira.
As lanternas traseiras eram fumê e pareciam maiores, graças a um prolongamento de acrílico, emoldurando a placa traseira. 
Os para-choques eram pintados na cor do veículo e possuíam um faixa longitudinal na cor prata.
A suspensão traseira do Apollo era idêntica à do Ford Verona (era a mesma do Escort), e logo se revelou muito fraca para o peso-extra da traseira do sedan.
Ainda assim, a estabilidade do Apollo era melhor que a do Verona graças ao emprego de amortecedores mais firmes. Em compensação, o Verona tinha um rodar mais suave.
Nascido em 1989, o Apollo foi produzido apenas de 1990 a 1992

Seus substitutos foram o Logus (2 portas - sedan) e o Pointer (4 portas – hatch), ambos derivados do novo Escort, mas estes também tiveram vida curta no mercado e se despediram em 1996.

Hoje, mesmo após duas décadas após o Apollo ter saído de linha, o modelo ainda possui admiradores (da época e atuais) e sua revenda não é tão difícil – desde que o modelo esteja bem conservado e com a maioria de suas características originais

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