terça-feira, 9 de julho de 2019

FUSCA ITAMAR - 1993 a 1996 (PARTE 2)

PRESIDENTE ITAMAR FRANCO E O "FUSCA ITAMAR"
 
 (CLIQUE NAS FOTOS ACIMA E ABAIXO PARA AMPLIÁ-LAS)
O então Presidente Itamar Franco reinaugurou a linha de montagem do Fusca na fábrica de Anchieta, e desfilou num Fusca conversível confeccionado especialmente para a ocasião (um déja vu do que Juscelino fizera a bordo de um Fusca conversível, 4 décadas antes...).
O Fusca renascido tinha como público alvo: homem, casado, com idade em torno de 40 anos. Pelas projeções da VW, agora ele seria o segundo ou terceiro carro da família. Renascia mais “moderno”, com saída de escape única (com catalisador), dupla carburação e ignição eletrônica (0 a 100 km/ em 14s e velocidade máxima de 140 Km/h, com álcool - marcas respeitáveis). Agora havia para-brisa laminado, para-choques na cor do veículo, carpete no assoalho, novos revestimentos internos, os mesmos bancos do Gol 1000, volante redesenhado, pneus radiais sem câmara aro 15, cintos de segurança dianteiros retráteis de três pontos e bancos com apoio de cabeça de série. As borrachas de vedação dos capôs dianteiro e traseiro agora estavam fixadas nas próprias tampas em vez de na carroceria. Mas os limpadores do para-brisa continuavam ineficazes, a folga na caixa de direção persistia e a suspensão traseira – com semi-eixos oscilantes – continuava fazendo as rodas traseiras se inclinarem para dentro nas curvas. Diante dos concorrentes (Chevrolet Corsa, Fiat Uno, Ford Escort Hobby e até mesmo o Chevette Júnior) o Fusca parecia, mesmo, uma carroça! Seu maior rival, porém, estava dentro de casa: o Gol 1.000, que custava quase o mesmo e era mais espaçoso, econômico, moderno e igualmente robusto e confiável.
ABAIXO, TESTE DO FUSCA 1993 A ÁLCOOL - REVISTA AUTO ESPORTE

 ABAIXO, O TESTE DA REVISTA OFICINA MECÂNICA

Em 1994 o motor 1.6 a gasolina (53 cv) voltou a ser oferecido ao Fusca, e alguns opcionais tornavam a vida a bordo melhor, como desembaçador do vidro traseiro, porta-objetos nas portas, relógio de horas no painel etc. Embora o motor com dupla carburação e câmbio alongado deixassem o carrinho bem esperto e ágil nas arrancadas de farol (0 a 100 km/h em 17 segundos e velocidade máxima de 136 km/hora, com gasolina) ele continuava instável (um pouco menos, pelo uso dos pneus radiais), consumia mais que os rivais e oferecia escasso espaço para passageiros e suas bagagens, visibilidade restrita e outras características inerentes ao projeto. Poderia ter ficado mais atraente se ganhasse as características do modelo 1303 europeu (para-brisa curvo, suspensão dianteira McPherson, estepe alojado no fundo do cofre dianteiro e maior porta-malas etc), mas aí ficaria caro demais...
ABAIXO, EXEMPLAR DE 1994 (FOI MEU)
 

ABAIXO, EXEMPLAR DE 1994 (JÁ FOI DO PROFº HUMBERTO)
 
Logo o sedan ganhou o apelido de “Fusca Itamar” mas, com vendas descendentes, foi produzido somente até julho de 1996, com mais de 47.000 unidades produzidas.
Ele se despediu definitivamente do mercado brasileiro com a Série Ouro (apenas 1.500 exemplares com direito a anotação do nome dos proprietários num “Livro de Ouro” da VW). Essa série diferenciava-se pelo uso do mesmo volante do Gol, dos bancos do Pointer GTI e das forrações internas, além de desembaçador do vidro traseiro, faróis de neblina, painel de instrumentos com fundo branco e vidros verdes, lanternas traseiras fumê...
Hoje o “Fusca Itamar” tem boa presença e valor no mercado de usados, e já começa a ser disputado por colecionadores. Um exemplar em bom estado de conservação e com as características originais preservadas, vale a partir de R$15 mil, mas pode custar mais ainda se oferecer baixa quilometragem, alto índice de originalidade e melhor conservação. A Série Ouro, evidentemente, custa ainda mais...

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