sábado, 3 de novembro de 2018

UMA BREVE HISTÓRIA DA ROMI-ISETTA

Américo Emílio Romi nasceu em 26 de junho de 1896, na cidade paulista de São José do Rio Pardo, filho do casal de imigrantes italianos Policarpo Romi e Séppia Regina Romi. Em março de 1912, ainda adolescente, mudou com os pais para a Itália.
Em 1915, em Milão, onde estudava eletrotécnica, acabou sendo convocado para lutar na Primeira Guerra Mundial (1914/1918).
Em 11 de janeiro de 1924, já casado, voltou para sua terra natal (Brasil), e se instalou na cidade de São Paulo. Em abril daquele ano abriu a primeira oficina mecânica 24 horas da avenida Paulista. Em 5 de julho de 1924, a sua moderna oficina foi tomada e devastada pelos revolucionários de Joaquim Távora e Izidoro D. Lopes. Com o revés, voltou a trabalhar como mecânico em oficina Alfa-Romeo.
Em 1925 se estabelecia novamente com oficina de reparação de automóveis, a “Universal”, na antiga Rua do Ipiranga, na capital paulista.
Em 1926, voltou para o interior, dirigindo a agência Chevrolet, em Americana (SP).
Em 1929, depois de mais uma tentativa no bairro Ipiranga (quando foi roubado pelo sócio), transferiu-se para a cidade de Santa Bárbara d’Oeste, onde instalou uma pequena oficina de conserto de veículos e venda de peças em um galpão, antiga cocheira. 
 
Em 1930 montou a “Garage Santa Bárbara” (foto ao lado).
Em 1932 a revolta Constitucionalista fez a gasolina, importada, ficar escassa. Assim, associou-se a um engenheiro que há algum tempo fazia experiências com gasolina misturada com álcool e, juntos, produziram e venderam a "autolina" em galões de cinco e dez litros. O problema é que a produção era limitada e a desconfiança grande. Por esse motivo, finda a revolta, a autolina deixou de ser produzida.
Emílio Romi percebeu que havia demanda para implementos agrícolas e, em 1934, começou a fabricar arados e outros produtos.
Em 1938 a razão social mudou para "Máquinas Agrícolas Romi Ltda".
A empresa de Romi deu sua guinada definitiva nos anos 40, desta vez por causa da Segunda Guerra Mundial. Faltava aço no mercado e o combustível passou a ser controlado pelo governo, sendo que a quota mensal a que Emílio tinha direito só mantinha seu forno de fundição funcionando por dois dias. Então, um de seus filhos sugeriu que produzissem tornos. Para viabilizar a ideia, desmontaram um dos tornos usados na fábrica, fizeram algumas melhorias e em 1941 criaram o primeiro torno da Romi, batizado de Imor (Romi ao contrário), modelo TP-2.
Em 1944, o êxito comercial era evidente, pois já exportavam para a Argentina. Daí em diante, o negócio deslanchou e a empresa se consolidou como grande fabricante de máquinas-ferramenta.
Em 1948 começou a fabricar o “TORO”, primeiro trator brasileiro (que não chegou a ser produzido em série).
A década de 50 começava e na Itália um engenheiro italiano (Preti) havia projetado um mini-carro urbano, com chassi tubular, em forma de “ovo”, e capacidade para duas pessoas (ou uma terceira criança “espremida” entre os dois adultos). Na Europa arrasada do pós-guerra, a escassez de tudo fez com que a demanda por veículos automotores se concentrasse em carros pequenos, baratos e econômicos. O projeto de Ermenegildo Preti e Pierluigi Raggi foi apresentado à fábrica italiana “Iso Automotoveicoli - SpA” – que até então produzia geladeiras, motocicletas e motonetas – que adquiriu a patente do minicarro. Assim, em 1953 a ISETTA (“pequena Isso”) foi para as ruas e fez sucesso imediato, sendo produzida, sob licença, em diversos países (Áustria, Bélgica, Espanha, França, Inglaterra e Suécia) e em várias versões. A BMW (montadora de carros alemã) também produzia motocicletas e estava com vendas descendentes (seus automóveis, de luxo, eram caros). A solução evidente: produzir um carro pequeno e barato... ou seja, a Isetta (mais de 160 mil unidades, algumas exportadas para os Estados Unidos).
Até meados da década de 1950, o Brasil não fabricava nenhum carro de passeio. Devido aos elevados impostos e taxas de importação, era difícil para o brasileiro comprar um carro, ainda mais “0 Km”.
A fabricação do Isetta na Itália encerrou-se em 1956, e a Iso transferiu todo seu maquinário para a empresa Romi, no Brasil

Com base num acordo feito dois anos antes com a Iso, em 28 de agosto de 1955 Emílio Romi fez publicar no jornal Diário de São Paulo que sua empresa breve produziria um carro. Às 11h30 do dia 30 de junho de 1956 o primeiro Romi-Isetta começou a ser montado (ao que consta, só não foi antes porque em 29 de junho era feriado e, também, aniversário do comendador Emílio Romi).
Assim, em 5 de setembro de 1956, foi oficialmente lançado o primeiro veículo “nacional”, a conhecida Isetta italiana, que aqui foi rebatizada como “ROMI-ISETTA“. 
 

Ao lado, o "CONVITE DE LANÇAMENTO DO CARRO".
A Romi-Isetta media 2,25m de comprimento; 1,34m de largura; 1,32m de altura e 1,50m de entreeixos. 
Pesava apenas 330 Kg. 
A frente era arredondada e a única porta ficava na dianteira. 
Não parece, mas tinha 4 rodas (as de trás eram mais próximas que o habitual). 
Vista de frente, a diferença de bitolas é gritante: 1,20m na dianteira e 0,52m na traseira. Internamente, apenas um banco, inteiriço. 
O painel de instrumentos (minimalista) ficava grudado na porta, junto com a coluna de direção, articulável. 
Os freios eram a tambor nas quatro rodas. 
A caixa de câmbio tinha 4 marchas (em ordem inversa à usual) e a alavanca ficava à esquerda do volante. O tanque de combustível tinha capacidade para aproximadamente 13 litros, incluindo cerca de 3 litros para reserva.
O carrinho tinha o expressivo índice de nacionalização equivalente a 70% (em comparação, os carros aqui vendidos continham até 40% de peças nacionais, mas não eram produzidos no Brasil). 

ACIMA, DETALHES DA ROMI-ISETTA


O marketing de vendas era agressivo para a década de 1950 e oferecia o modelo como “segundo carro para a família”, mas também "o carro ideal ao estudante" (que costuma andar só ou no máximo com um acompanhante). 
Algumas propagandas foram mais ousadas e tentaram fisgar o público feminino (vide foto ao lado). 
O “reclame” sugere uma mulher saindo de uma gaiola (!) e em seguida entrando em um Romi-Isetta, dizendo a seguinte frase: - agora sou livre! 
Para promover o lançamento do veículo, foi realizada uma partida de futebol no Pacaembu, em que os “craques” eram as Romi-Isettas. Veja abaixo:
 

A primeira "fornada" foi apresentada ao então governador de São Paulo, Jânio Quadros, que teria dito: 
“- Honra a nossa indústria, honra São Paulo e honra os brasileiros um carro como esse”. 
Sem sombra de dúvida foi uma grande façanha, lembrando que até então o Brasil não possuía fábricas de automóveis. Nos anos anteriores, o máximo que fazíamos era remontar, como um quebra-cabeças, carros que vinham para cá completos, porém desmontados (como os Jeep, por exemplo).
O segundo carro a ser produzido no Brasil foi a perua DKW, mas com índice de nacionalização bem inferior.
 
Para finalizar, algumas fotos que eu, Humberto e meu amigo Carlos Crema tiramos com alguns exemplares:
 
 CLIQUE NAS IMAGENS ACIMA PARA AMPLIÁ-LAS

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