terça-feira, 23 de outubro de 2018

ROMI-ISETTA - CURIOSIDADES E CADASTRO NACIONAL

C U R I O S I D A D E S

PRIMEIRO CARRO NACIONAL – em 1956, a VEMAG (outra fábrica brasileira, 100% nacional) lançou a perua Universal (base da futura Vemaguet) dois meses após o lançamento do Romi-Isetta. O índice de nacionalização desse carro era de apenas 30% de seu peso; ou seja, apenas alguns poucos componentes (como por exemplo pneus) eram nacionais, sendo a maior parte importada. O Romi-Isetta, ao contrário, tinha 70% de seu peso em peças produzidas no Brasil. O plano da VEMAG previa a fabricação de um carro no Brasil, incluindo motores, sendo que a Sofunge já havia fundido o primeiro bloco de motor brasileiro. Por este motivo, o plano da Vemag foi o primeiro aprovado pelo GEIA, que emitiu o certificado Nº 1/56, embora o veículo desse plano fosse lançado apenas em 1958.
ROMI-ISETTA DO PELÉ - em 1959 o Prefeito de Bauru/SP, Sr. Nicola Avallone Junior, presenteou o jogador PELÉ (então com 18 anos de idade) com um Romi-Isetta modelo 1959, cor amarela. O tempo passou e no lugar do pequeno veículo foram chegando imponentes carrões (Mercedes, Audi, BMW...) e o Isetta foi esquecido. No começo de 2004 comentou-se que o “Rei” compareceu a um programa de TV em busca do carrinho, para compor o acervo do museu montado ao “Pelé”, em Santos/SP...

ROMI-ISETTA 4 PASSAGEIROS - além de versões utilitárias (picape, furgão) de sua Isetta original, as Indústrias Romi planejavam lançar um novo modelo de passageiros que se adequasse às normas do GEIA no que diz respeito à categoria automóveis. 
Esse veículo teria uma capacidade mínima para o transporte de 4 pessoas e seria muito semelhante ao modelo alemão Zündapp Janus (fotos ao lado e abaixo).
O motor ficaria entre os eixos, com o layout dianteiro se repetindo à traseira, dando a ilusão de que o veículo possuía duas frentes. 
No compartimento traseiro seria acrescentado um segundo banco, voltado para trás.
BMW-ISETTA 600 - O Isetta existiu também em uma versão mais ampla, com 2 portas (uma frontal e uma lateral) e 4 lugares, que na Europa se chamava “BMW-Isetta 600” e foi produzido na Argentina como “De Carlo 600”. A transmissão era convencional (por árvore, em vez de corrente), havia diferencial e o câmbio também era de 4 marchas, com opção de embreagem automática Saxomat. A porta lateral foi acrescentada por questões de segurança (saída ou resgate em acidentes). O modelo “600” media 2,90m de comprimento, 1,40m de largura, 1,70m de distância entre-eixos e pesava 515 kg. O motor de 582 cm3 rendia 19,5 cavalos e alcançava a velocidade máxima de 100 km/h. De 1957 a 1959 a BMW produziu 34.318 unidades do modelo que poderia ter sido a salvação da linha, no Brasil.
ISETTA - MOTOR VW (USA) - Nos Estados Unidos, Verner Marler, um brasileiro (gaúcho) que reside nos EUA, há poucos anos decidiu trocar o pacato motor de 250cc de seu Isetta-BMW por um motor Volkswagen refrigerado a ar 1.500cc, retirado de um Karmann-Ghia 1971. O câmbio também é o do VW, com 4 marchas. A bitola traseira foi diminuída em 12 polegadas (30,4cm) e foi suprimida a suspensão traseira, ficando todo o conjunto rígido. O cilindo-mestre do freio também foi aproveitado do VW e o sistema elétrico passou de 6 para 12 volt’s. O carrinho recebeu barras auxiliares e rodas traseiras, no estilo dragster, já que a dianteira é muito leve e o carro empinaria com facilidade. A carroceria custou 300 dólares e a transformação consumiu apenas 1.500 dólares, incluindo pintura da carroceria e cromeação total do motor. 
ISETTA COM MOTOR VW REFRIGERADO A AR - em 1972 o dentista brasileiro Eraldo Bellemo comprou um Romi-Isetta e utilizou-o normalmente até 1987. Quando o motor original pifou de vez, ele pensou em instalar um propulsor BMW de 297 cm3. Na impossibilidade de obter esse motor, estudou diversas opções como usar motor de motocicleta, do VW Passat e até da Kombi diesel (com o radiador na porta dianteira), mas no fim das contas optou pelo motor VW boxer refrigerado a ar, 1600 cm3, retirado de um Gol BX com dupla carburação e movido a álcool, que coube no reduzido espaço. Com a adaptação do câmbio VW, teve que alterar o rodado original na traseira em relação ao projeto original (que não tinha diferencial), ficando as rodas traseiras mais "para fora". Duas abas foram incorporadas à carroceria para cobrir as rodas traseiras, sem afetar o equilíbrios das linhas, e servem como para-lamas. Os freios, a tambor, vieram de uma picape VW Saveiro, e foram usinados para caberem nas pequenas rodas de 10 polegadas. A suspensão traseira veio de um Fiat 147, o que proporciona melhor efeito dinâmico. Por fim, o escapamento é o da Kombi diesel, com catalisador. O painel de instrumentos veio de um carro inglês, o Triumph 1960. O tanque de combustível original (13 litros) foi substituído por outro de 32 litros. Com todas essas modificações o proprietário informa o consumo médio de 13 Km/l com álcool, e velocidade máxima de 100 Km/h - culpa das rodas pequenas. A cor original da carroceria (laranja e branco) foi substituída pelo preto.

DIASETA - em 1980 o empresário Humberto Dias – do ramo de autopeças, de São Bernardo do Campo/SP – apresentou o protótipo de um novo Isetta na “Exposição da Pequena e Média Indústria”, realizada na capital paulista durante a “Brasil Export 80”.
Rebatizado como Diaseta (fusão de seu sobrenome com a marca original), nada mais era que uma réplica do conhecido Romi-Isetta com algumas alterações, como pára-choques inteiriços, faróis e luzes de direção integrados ao dianteiro e duas tomadas de ar laterais.
As lanternas traseiras eram as mesmas do recém-lançado VW Gol, incluindo luzes de ré (ausentes no modelo original). O teto solar foi cogitado para “aumentar a segurança” (afinal, a única porta ficava na dianteira e se ela ficasse emperrada em decorrência de uma colisão?...).
O para-choque maior (novamente em nome da segurança) implicava na redução da base da porta. No painel foram adotados instrumentos do Fiat 147, modelo 1980. Humberto Dias pretendia fabricar o motor a partir do projeto original da BMW, o que demonstrava o nível de desconhecimento das dificuldades envolvidas. Apesar de o momento ser propício a carros compactos e econômicos, o surgimento de outros ultracompactos na mesma época (como Alcar, Dacon 828, Economini, Fibron 274, Mignone, Gurgel Xef etc), acarretou no engavetamento do projeto e o Isetta original passou definitivamente para a memória dos saudosistas.

RÉPLICA NACIONAL DA ROMI-ISETTA: https://www.youtube.com/watch?v=LySvG33IV7M

CADASTRO NACIONAL DE ROMI-ISETTAS

Placas: AYR1958 – ASR1959 - BHI8916 – BHM3761 – BVZ9121 - CJJ1957 – CTH1959 –  CVS1959 - CWC7344 - CXX1958 – CYF6159 – DBQ1959 – DDH6959 – DEW7417 - DEW7437 – DFV1959 - DKH1957 – DKN1958 – DKN1959 – DKR1957 - DRR1959 – EEX1958 - EGJ1959 - EIQ4423 - EIX1959 – EQX1958 – ETL7887 – ETP1956 – FDX1958 - FFZ1956 – FFZ1958 – FHT1958 – FNN1961 – FRB1956 - FRI1959 – FTA1959 - FVU1957 – GJN1958 – GVZ4812 - IEO1957 - IIN1394 – IMC1957 – KHE1959 – KRK0097 – PXS6726


Total: 45 exemplares
Última atualização em 23 de outubro de 2018

3 comentários:

  1. Sobre o Romi-Isetta e o Geia: as Indístrias Romi apresentaram seu projeto de fabricação de veículos ao Geia em 1957. Eram cinco modelos diferentes, incluindo duas versões do Romi-Isetta. Os planos foram APROVADOS pela entidade, porém não foi executado, pois previa a participação, através de Joint-Venture, da empresa alemã BMW, que, diante de uma crise inesperada, não pôde participar. Não há menção a número de portas no decreto de fevereiro de 57, o primeiro expedido pelo Geia, nem em nenhum outro. Portanto, o Romi-Isetta é oficialmente reconhecido como automóvel e como o primeiro carro de passageiros produzido em série no Brasil. Mais informações em www.fundacaoromi.org.br

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    1. O pequeno Isetta começou a ser produzido 2 meses antes da perua DKW, sem dúvida. Mas ao que parece o tema de "qual foi o primeiro carro nacional pelo critério da GEIA) continuará polêmico. Sugiro a leitura dessa outra matéria publicada em https://garagem360.com.br/especial-fabricantes-nacionais-a-historia-dos-carros-dkw-vemag/

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  2. Bom dia Adriano. O critério citado na matéria da Garagem 360 -- "número de portas" -- inexiste em qualquer documentação oficial. Trata-se de uma lenda urbana, a afirmação de que o Romi-Isetta não se "enquadrava em critérios do Geia", posto que o projeto de produção foi, sim, aprovado pela entidade. Por favor, me passe seu e-mail para que eu possa enviar um material, produzido aqui na Fundação Romi, que detalha a história do carro. Grato.

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