sábado, 20 de junho de 2015

DEL REY - UM BREVE HISTÓRICO E VERSÕES INUSITADAS

 
Diversas foram as razões de a Ford do Brasil ter lançado o luxuoso Del Rey, em 1981.
O sucesso do Corcel II, lançado 3 anos antes, apressou o fim do Maverick, sedan médio que estreou em 1973 apenas com motores 6 e 8 cilindros. A crise do petróleo naquele ano fez as vendas do modelo encolherem e nem a versão 4 cilindros, lançada em 1975, conseguiu reverter o quadro.
A crise do petróleo encalhava as vendas de carros grandes e gastadores e condenava à extinção carros grandes como o Landau e a linha Dodge V8.
Carente de recursos, a Ford precisava de um novo carro que substituísse o Maverick (retirado de linha em 1979) e, de quebra, oferecesse o luxo e a exclusividade presentes no quase finado Landau.
Assim, a partir do Corcel II a Ford preparou não um "Corcel III" e sim um sedan com opção de 2 e 4 portas, que usaria o mesmo motor 1.6 do Corcel (69 cv e velocidade máxima de 137 Km/h, mas com bom torque na cidade e econômico) e a mesma plataforma.
Dois erros foram cometidos logo de cara: para ser um carro de luxo, a distância entre-eixos deveria ter sido aumentada de forma a oferecer mais conforto para os passageiros do banco de trás. 
Da mesma forma, deveria ter sido utilizado um motor mais potente e moderno - no caso, o moderno 2.3, 4 cilindros, que estreou no Maverick em 1975 e depois foi utilizado na Rural, F75 e Jeep e foi exportado durante anos.
Então, apesar do espaço interno acanhado e do motor "com potência apenas suficiente", o Del Rey cobria o dono de mimos e oferecia rodar suave. O acabamento esmerado era o típico da Ford daqueles anos, e havia itens de conforto e conveniência nunca antes oferecido pela Ford, como rodas de liga-leve, faróis de neblina, cintos de segurança retráteis, vidros com acionamento elétrico e travas elétricas, por exemplo. Uma das marcas registradas do Del Rey e muito apreciada pelo consumidor era o console no teto, com luzes de leitura e um charmosos relógio digital com função de econômetro, envolvidos por um irresistível mostrador na cor azul. O painel de instrumentos era completo e novamente uma referência no segmento. Naqueles difíceis anos 80, de crédito escasso, alta inflação e poucos investimentos na indústria automobilística (ainda era proibido importar carros de passeio), até que o Del Rey foi bem sucedido.
A opção de 2 portas pode soar estranho em se tratando em um carro de luxo, onde o dono se senta no banco de trás... mas o brasileiro tinha o estranho hábito de preferir carros com essa configuração. Já a versão 4 portas facilitava o acesso ao banco de trás, mas era mais "careta" e talvez deixasse evidente que o espaço na parte de trás da cabine era menos generoso que o esperado. 
O câmbio automático era opcional e foi disponibilizado em 1983 e em 1984 o modelo ganhou o motor CHT 1.6, evolução do anterior e adotado no recém-lançado Escort.
Em 1983 a Ford lançou a perua Scala Del Rey - uma Belina com o mesmo acabamento e conforto do Del Rey. Mas ao que parece, não agradou muito. Afinal, um carro para a família deveria ter quatro portas, e não apenas duas e enormes. A perua VW Santama Quantum, lançada em 1984, tinha as esperadas quatro portas, e fez sucesso.

A direção hidráulica finalmente virou item de série em 1986, ano em que o modelo recebeu um providencial "face lift" e surgiu a cobiçadíssima - e cara - versão Ghia (topo de linha).
A fusão da Ford e da Volkswagen na malsucedida Autolatina, no fim dos anos 80, permitiu que o Del Rey recebesse o motor AP 1.8 (95 cv) da Volkswagen, que proporcionou mais agilidade, sem gastar muito mais. Mas já era tarde para o modelo, e ele saiu de linha em 1991, após 350.000 unidades produzidas.
VERSÕES ARTESANAIS
Nessa década em que o Del Rey esteve presente no mercado, não faltaram opções artesanais que davam ainda mais exclusividade ao admirador do carro e da marca.
A versão conversível era mesmo "de virar a cabeça" e deixava o carro muito esportivo e, ao mesmo tempo, elegante... desde que não se levantasse a capota de nylon. A Santo Amaro e a Souza Ramos foram algumas concessionárias da marca que produziram esta versão até hoje atraente.
 






Já a versão limousine, com diferentes enxertos, proporcionava o espaço que sempre faltou para a livre movimentação das pernas dos afortunados passageiros. Quanto ao estilo... é algo questionável... A Engerauto e a Souza Ramos produziram algumas delas, mas não fez o sucesso esperado.







Por fim, sempre tem algum mechânico de fundo-de-quintal que solta a imaginação e cria algumas versões bizarras, como picape e outras tão xunadas que nem merecem muitos comentários.




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